quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sobre o poder transformador das viagens





Acredito que todas as pessoas têm um desejo latente de conhecer algum lugar, mas para a maioria das pessoas, nem sempre empreender uma viagem é um sonho tão viável no plano material.  Sempre existe um destino pessoalmente significativo que nos remete à fonte ou a origem de alguma coisa que seja importante, uma ida a terra natal ou mesmo a terras muito distantes. 

Viagens são sempre oportunidades para não só aproximar culturas, como também ampliar nossas visões de mundo, seja pelas diferenças sociais ou pelas adversidades que enfrentamos durante a jornada, que sem dúvidas são fontes preciosas de autoconhecimento, um verdadeiro rito de passagem que desafia não só as fronteiras geográficas, como as nossas fronteiras interiores. 

Muitas vezes traçamos planos magníficos, separamos mapas, definimos com antecedência o roteiro, e de repente se torna mais significativo abrir mão de tudo isso e viajar como um peregrino, onde as motivações menos pragmáticas tornam o próprio caminhar uma experiência cheia de desafios e propósitos mais elevados. 

Eu pude vivenciar uma viagem que foi a verdadeira realização de um sonho, em 2012 conheci a Índia, um lugar onde sempre me fascinou pela sua cultura e sua arte, e poder olhar de perto tudo aquilo que eu lia nos livros foi sem dúvida uma das experiências mais significativas da minha vida, e espero realmente poder retornar um dia, pois a sensação que eu tive quando desembarquei pelas bandas de lá é que eu estava realmente retornando no berço da humanidade, na terra natal da minha alma. E neste processo desenvolvi um desejo latente de conhecer o mundo. 
Como disse Blaise Pascal “Nossa natureza consiste em movimento; a completa calma é a morte”.  Viajar de férias é bom para descansar o corpo, relaxar. Mas à primeira vista, explorar como um nômade uma cultura e presenciar seus costumes, adentrar em outro universo cultural é muito mais encantador, mesmo que para isso você tenha que abrir mão de certo conforto e enfrentar alguns percalços materiais e existenciais no meio do caminho. 

Qual é o destino do teu sonho?

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Reflexão de segunda





Hoje é segunda-feira e tenho certeza que maioria das pessoas está cansada, desanimada e contando os dias para chegar sexta-feira. Mesmo no auge do meu inferno astral, me pergunto: até quando vamos levar uma vida em que o propósito seja esperar o fim de semana para que enfim possamos fazer aquilo que deveríamos fazer diariamente?! Há um certo mito social acerca da segunda-feira que precisa ser extinto. Todo dia é dia de ser feliz.

Segunda-feira pode ser mais especial com uma xícara de café ou chá, uma conversa gostosa com um amigo, um passeio no parque na hora do almoço, uma visita a livraria ou mesmo com uma breve contemplação do céu nublado. Nós damos o que queremos, fazemos o que queremos – temos total autonomia das nossas escolhas, portanto escolha ser feliz hoje, segunda-feira.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Como lidar com a desmotivação e falta de entusiasmo



Não há nada mais desanimador e infrutífero do que a desmotivação diante da vida. Muitas vezes estamos enredados em histórias e situações-limite que nos tiram toda a nossa força e energia vital.  Ficamos sem chão, sem esperança e o tempo demora a passar, a sensação que temos é o que tempo nos boicota passando lentamente, dando a sensação de que estamos sendo arrastados rumo a lugar nenhum. O desânimo e desmotivação são resultados de alguma frustração, algo que não saiu como planejamos. Por que perdemos o entusiasmo? Certa vez escrevi aqui sobre a potência criadora do entusiasmo e como ele é capaz de transformar nossas vidas.

Talvez o momento presente, que é sempre onde nossa consciência deve repousar, não parece muito animador, assim perdemos a esperança do futuro ou mesmo de um dia-a-dia mais vívido. Mas e ai, aonde mora essa tal de motivação?! Por que ela se esconde de nós em algumas épocas?! Acredito que o primeiro passo seja encontrar um sentido para a nossa vida, caso não tenha um em mente, busque um. Segundo passo é termos propósitos claros, delineados e objetivos, assim não deixamos que os acontecimentos e a rotina destruam o entusiasmo das nossas ações.  


Quando temos um período de desânimo é bom irmos dormir pensando que amanhã será outro dia e acreditar firmemente nisso.  Quando estamos lidando com este nível de sentimento precisamos valorizar nosso tempo, organizar as bagunças da vida, fazer algo que gostamos e traçar planos objetivos sobre o que esperamos de nós e desejamos a pequeno, médio e longo prazo. A vida é muito mais simples do que imaginamos. Não podemos esconder nossas fraquezas e insucessos, muito menos fingir que não estamos enxergando a realidade que nos abate e nem deixar de arriscar novos passos quando sentimos que a jornada está desanimada, sem energia vital, sem sentido. 

Hoje escrevi esta postagem especificamente para mim, que ando meio cabisbaixa e sem prana. Escrever sobre isso me fez enxergar as soluções para enfrentar o problema. :) 

Com amor,

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A arte da convivência





Conviver é uma arte que requer paciência, caso o contrário seus resultados podem ser catastróficos para uma relação, seja ela qual for. Sempre estamos numa constante troca com o outro, através de conversas, encontros e todas as interações possíveis. Por mais que você acredite conhecer uma pessoa, esse fato só se confirma na convivência, para ambos os lados. É muito comum nutrimos uma certa simpatia por alguém até que nos seja dado a oportunidade de conviver ela. Diga-se de passagem, isso também serve para você e eu do outro lado da moeda.

Bastam 10 ou 20 dias dentro de uma casa, às vezes até menos tempo, para que um esteja alfinetando e julgando o outro. A arte de conviver pede que sejamos pacientes e respeitosos com a experiência de vida de cada um, caso contrário sempre iremos cair no erro de apontar os defeitos e até mesmo afastar pessoas que são importantes para a nossa jornada.  

Aceitar as diferenças é o ponto de partida para uma convivência harmoniosa, seguido de respeito. Ambos numa relação devem ter consciência disso. Inevitavelmente e  graças a deus, as pessoas pensam diferentes, tem opiniões, posturas, gostos e atitudes que são inversas a sua e isso pode ser extremamente enriquecedor quando estamos conscientes que é na diferença e no atrito que somos lapidados, como diamantes. 

Tenho certeza que todo mundo já teve uma experiência desastrosa no que diz respeito à convivência. Muitas vezes acreditamos conhecer a pessoa, nutrimos uma simpatia por ela e basta colocá-la sob o mesmo teto para que vejamos as máscaras caírem. Nessas situações-limite o universo nos fez um favor, assim podemos seguir adiante sabendo quem  é quem e se vamos prosseguir com ela. Mas lembrem-se, os outros só colocam nossa postura em teste.  São nesses momentos que podemos praticar a consciência e paciência, por mais difícil que seja se recordar disso quando estamos no olho do furacão. 

De qualquer forma é bom lembrarmos que somos seres sociais e que os conflitos nos ajudam a superarmos a nós mesmos.  Experiências significativas geralmente surgem no coletivo, no contato e convívio com o outro. Acirramentos de opiniões são bons para testar nossos argumentos, mas desarme-se. Ninguém detém a verdade e tudo são apenas pontos de vista.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Como encontrar o trabalho da sua vida



Hoje vim aqui para falar sobre o trabalho, um tema que sempre me questionei, pois um jovem de 16, 17, 18 talvez não esteja suficientemente maduro para fazer uma escolha assertiva. Geralmente quando optamos por determinada profissão éramos outra pessoa e talvez esta escolha não condiga com o que somos hoje. Como encontrar o trabalho da sua vida é um livro do filósofo australiano Roman Krzaric, que ajuda, orienta, encoraja quem ainda se sente um tanto perdido ou insatisfeito com a posição que ocupa no mercado de trabalho. 

Certamente metade das pessoas que você conhece não deve estar satisfeitas com o seu emprego, seja pela remuneração ou status. Mas atualmente, os indivíduos do século XXI precisam de algo que vai além do dinheiro para encontrar plenitude em suas atividades: o trabalho deve fazer sentido,  refletir os seus valores, praticar seus talentos e vibrar. Sim, eu acredito que podemos ir para o trabalho contentes e realizados e se ainda não é assim, talvez é chegado o momento de repensar toda a jornada. Não interessa se você tem 20, 30, 40, 50 ou 60 anos. Todo o momento é propício.

Precisamos trabalhar com aquilo que podemos usar os nossos talentos. Se você acha que não tem nenhum é porque nunca parou para pensar seriamente neste assunto. A nossa fome existencial não é saciada unicamente pela a remuneração, por isso tantas pessoas estão insatisfeitas com o que fazem hoje. Pois, francamente, não faz o menor sentido dedicarmos nosso tempo e esforço fazendo algo que não vibre dentro de nós. É um atentado contra a vida. E quantas pessoas você conhece estão cometendo esse suicídio lentamente?!  Só o dinheiro não compensa.

Se você tivesse a possibilidade de começar tudo de novo escolheria qual carreira?! Quando penso nisso logo vem a imagem do meu pai, que já na casa dos 50 decidiu fazer engenharia. Hoje está formado e muito contente com sua profissão, uma fonte de inspiração para que eu possa correr atrás dos meus sonhos. Hoje gosto muito do meu trabalho, ele é autônomo, flexível e me permite pensar em outras carreiras, por que não?! Só de me imaginar engessada fazendo uma única coisa me dá tédio.

Como disse o filósofo Roman Krznaric: “a história do trabalho tem sido escrita com muito sacrifico e tédio. Muitas pessoas suportam seus trabalhos apenas por atender suas necessidades materiais e assim passam a semana ansiando pelo fim de semana. Ao invés de lamentar uma escolha que não deu certo, que tal criar coragem e explorar outras atividades?! É isso que o livro Como encontrar o trabalho da sua vida propõe.  Ser especialista não compreende os múltiplos eus que existem dentro de cada um. “Seguindo uma perspectiva renascentista mais positiva, buscar diversas carreiras ao mesmo tempo é uma maneira de prosperar e de ser fiel aos nossos múltiplos eus.” Um dos exercícios do livro é você listar cinco profissões distintas que você gostaria de exercer por um ano. Na minha lista eu escrevi, escritora, vendedora de livros, dona de um bar em Balí, cozinheira e professora.


Sabemos que o medo é o principal obstáculo quando as pessoas decidem mudar de carreira ou arriscar num novo projeto de vida, mas a experiência deve ser a mestra que conduz às transformações. Se não temos coragem de arriscar de uma única vez, experimente exercer uma nova atividade nos fins de semana, talvez assim você possa ter a certeza de que é isso que quer e ir se ambientando com o novo ofício.

"A forma de arrependimento mais emocionalmente corrosiva ocorre quando deixamos  de agir em relação a algo que é profundamente importante para nós."

"De longe, o maior erro que as pessoas cometem quando tentam mudar de carreira é esperar a definição de um destino para dar o primeiro passo. A única maneira de criar a mudança é colocando nossas possíveis identidades em prática, trabalhando e aprimorando-as até estarem suficientemente entranhadas com a experiência para orientarem a realidade, não olhando para dentro. A melhor reflexão vem depois, quando estamos sob o impacto e quando existe algo a refletir. "

 O livro é maravilhoso, inspirador e corajoso. Não é um manual utópico, ao contrário, ele é prático, objetivo e te provoca muitas reflexões. Chega de manter um emprego que já passou o prazo de validade.  A vida pede ação e coragem.