quinta-feira, 21 de novembro de 2013

A ditadura da beleza

Vivemos uma época intensamente imagética, onde as pessoas estão muito mais preocupadas em mostrar quem elas são através do seu corpo. Mulheres se afundam em plásticas e horas a fio dentro de academias, ingerindo produtos tóxicos e não aceitando a passagem do tempo e as marcas que deixam o viver.  Como disse meu primo certa vez, em tom de piada, a pessoa faz tanta plástica que quando gargalha o braço levanta.

A mídia é hoje o grande responsável por esta ditadura da beleza, onde gordurinhas extras e qualquer imperfeição devem ser corrigidas a qualquer preço, numa obsessão por estar magra ou gostosa, dois padrões distintos e muito cobiçados por mulheres e homens. O que essas pessoas precisam pensar é que a perfeição é inalcançável, porém quando se está neste estado obcecado fica realmente difícil compreender a submissão estética no qual ela sofre.

A beleza é um estado muito mais amplo e diverso do que mostra a televisão. Olhos azuis, cabelos louros, silicone e tantos outros quesitos são apenas aditivos. Cada pessoa é bela pelo o Ser que ela é, a sua humanidade e coisas que não estão disponíveis na imensa prateleira das salas de cirurgia, muito menos em academias. Ser um objeto sexual valorizado não fará ninguém mais feliz, pelo contrário, apenas atrairá pessoas interessadas em prazeres momentâneos e fugazes.

É claro que sempre haverá coisas no nosso corpo que incomodam, e isso é normal. O anormal é ser obcecado pela perfeição. Do que adianta um lindo frasco cheio de chorume dentro?! Beleza é uma combinação harmônica que vai muito além da forma física. Certamente se as pessoas cuidassem da sua alma e da sua mente da mesma forma que cuidam de seus corpos, o mundo não estaria tão sobrecarregado de óbitos resultantes desta compulsão pela beleza das capas de revistas e campanhas publicitárias e nem tão cheio de pessoas vazias e fúteis cujo a limitação é o próprio umbigo. 

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