segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Da receita mágica dos relacionamentos - Parte II



Estou lendo um livro muito interessante que se chama a Arte de Amar, de Erich Fromm, muito comum encontrá-lo nos sebos da vida a preços bem módicos.  E ele traça diversos panoramas sobre as formas de amar e não amar. Selecionei alguns trechos importantes para refletirmos sobre a arte dos relacionamentos.

"Como normalmente ninguém pode, a longo prazo, corresponder às expectativas de seu adorador idólatra, a decepção tende a ocorrer e, como remédio, novo ídolo é procurado, às vezes num círculo infindável. Característica desse tipo de amor idólatra é, no inicio, a intensidade e subitaneidade da experiência amorosa. Este amor idólatra é muitas vezes descrito como o grande, verdadeiro amo; mas, embora pretenda retratar a intensidade e a profundidade do amor, apenas mostra a fome e o desespero do idólatra."

"O argumento comum dos pais em tal situação (infeliz) é a de que não se podem separar a fim de não privar os filhos das bênçãos de um lar unificado. Qualquer estudo pormenorizado, entretanto, mostraria que a atmosfera de tensão e infelicidade dentro da "família unificada" é mais prejudicial aos filhos do que o seria um rompimento claro - o qual pelo menos lhes ensinaria que o homem é capaz de por termo a uma situação intolerável por meio de uma decisão corajosa."

"Assim experimentado, o amor é um desafio constante; não é um lugar de repouso, mas é mover-se, crescer, trabalhar juntamente; haja harmonia ou conflito, alegria ou tristeza, isso é secundário em relação ao fato fundamental de que duas pessoas se experimentam mutuamente a partir da essência de sua existência, que são uma com a outra por serem uma consigo mesmas, em vez de fugir de si mesmas." 

"O amor fraternal é o amor entre iguais; mas na verdade, mesmo como iguais não somos sempre "iguais"; e por sermos humanos, temos todos necessidades de ajuda, todavia, não significa que um seja desamparado e o outro poderoso. O desamparo é uma condição transitória; a permanente e comum é a capacidade de erguer-se e caminhar pelos próprios pés". 

"Por estar o desejo sexual emparelhado na mente de muitos com a ideia de amor, são eles com facilidade levados à má conclusão de que se ama um ao outro quando se querem um ao outro fisicamente. (...) Se o desejo de união física não for estimulado pelo amor, se o amor erótico também não for amor fraterno, nunca levará à união mais do que num sentido orgíaco e transitório. A atração sexual cria, no momento, a ilusão de união, mas, sem amor, essa união deixa os estranhos tão afastados quanto antes se achavam."

***  

Um relacionamento não se constrói em um único alicerce: não é o sexo que prende, não são as afinidades de pensamento, as condições materiais e financeiras, nada disso pode sustentar uma relação. Ela se finda a partir de uma construção muito lenta que requer paciência  e companheirismo. 

Os dois precisam crescer juntos, que um sirva de ponto de apoio para que o outro possa dar seus frutos, trilhar seu caminho. Dois são um, porém dois ainda são dois. Um paradoxo real.   Não podemos abrir mão de nossas vidas, pois acima de tudo e qualquer coisa, somos indivíduos que tem suas próprias aspirações, desejos e sonhos. 

Amar é uma experiência pessoal, cujo a receita não pode ser dada de igual maneira para todos.  Mas se existe alguns truques que são infalíveis para todos e qualquer tipo de relacionamento é dominar a arte da paciência, de saber ouvir atentamente as pessoas  e levar a sério o que se é dito.  Amar é emergir do narcisismo e da fixação de que somente as suas necessidades devam ser atendidas. Amar é ceder, é encontrar pontos de equilíbrio entre os desejos de cada um.  

E uma pessoa sozinha não pode salvar.  Nas crises, só há salvação quando os dois estão dispostos a fazer avaliações criteriosas sobre os seus erros e o que podem mudar daqui pra frente, que é o que realmente importa. 

O amor vale todas as tentativas.  

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