domingo, 17 de novembro de 2013

O macho tem futuro?



Abaixo segue alguns trechos de um texto incrível do historiador Jaime Pinsky: O macho tem futuro?

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Enquanto isso, o homem, estimulado a competir desde muito cedo, busca apenas aperfeiçoar suas armas para "vencer", a qualquer custo. Todos temos amigos e conhecidos que nao leem a não ser o mínimo necessário para melhorar o desempenho de suas tarefas profissionais. O resultado são pessoas desinteressadas e desinteressantes, incapazes de se relacionar com seus iguais num nível um pouco mais alto. 

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Dá uma enorme tristeza ver profissionais competentes, mas culturalmente despreparados, que não sabe, curtir um bom concerto ou um bom livro. Por outro lado, usam a emoção para ver filmes banais e escutar música piegas. Não, não se trata de gosto, apenas. Cultura se aprende e gosto se burila. Como é que um executivo, que conhece as patifarias da sociedade de massa, pode se deslumbrar com produtos da indústria cultural concebidos e produzidos por marqueteiros e divulgados a custa de jabaculês?

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O acesso a bons filmes talvez possa evitar o processo de infantilização de adultos (comédias idiotas, desenhos elementares, personagens sem conteúdo). Visitando bons museus, as pessoas estabelecem um contato mais estreito com importante parcela do patrimônio cultural da humanidade preservado nesses espaços. A boa música, popular ou clássica, ajuda a desenvolver a sensibilidade. 

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Nós, homens, agimos como nossos pais (e avós): acreditamos que a manifestação de afeto podem ser expressas materialmente. Entupimos nossos filhos de brinquedos em troca do carinho que não encontramos tempo em oferecer. Destinamos a nossas mulheres flores, jóias, e jantares caros como substitutos de conversas inteligentes, amor e sexo. São soluções pobres, de machos desorientados. Que estão correndo grande risco de perder a hegemonia. 

Por que gostamos de História? - Jaime Pinsky

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Acredito que toda a situação vá muito além de questões de gênero e status social. Esta infantilização do adulto, da massificação da indústria do entretenimento atinge a todos, praticamente de igual maneira, salvo a algumas raras exceções. É comum ver pessoas que tiveram todas as oportunidades do mundo, material e culturalmente, e continuam estagnados dentro do mesmo patamar, ainda que acreditem que estão evoluindo, assistindo os mesmos programas na televisão, lendo romances puramente comerciais e por ai vai. 

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