quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sorteio do Livro "Sobre a arte de viver"



Olá, amigos, 
Já escrevi aqui uma resenha sobre o livro a Arte de Viver, do filósofo Roman Krznaric. Foi um dos melhores livros que já li. Quando vai chegando ao fim você entra num ritmo mais lento só para não ter que encarar a despedida. 

Roman Krznaric faz um panorama fantástico sobre religião, amor, dinheiro ,família, trabalho, usando exemplos da história para encontrar o caminho sobre a arte de viver. 


Para a nossa alegria, a Editora Zahar disponibilizou um exemplar para sortear aqui no Blog Páprica Doce! 

Para participar é fácil! 
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O resultado sai no dia 17 de Fevereiro de 2014!

Chame os amigos e boa sorte! :) 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Filosofia do Tédio




Sabemos que o livro é bom quando grifamos um terço de cada página, e assim foi minha experiência com o livro “Filosofia do Tédio”, de Lars Svendsen que recebi da Editora Zahar.
O que é o tédio? Apesar de nos confrontarmos com ele em intervalos regulares da nossa vida muitas vezes não sabemos defini-lo e nem identificar o porquê dele ter se instalado. Sentimos apenas um branco, ou cinza para todos os lados. 

Para o filósofo Lars Svendsen, o tédio é a ausência de significado e um fenômeno típico da modernidade. Um aspecto intrínseco da existência humana, que além de provocar certa inércia e falta perspectiva, também traz a tona reflexões profundas sobre o modo como vivemos e as escolhas que fizemos e nos conduziram até aqui: o momento presente (e talvez para algumas pessoas, entediante). 

O fato de termos escolhas finitas as tornam muito mais importantes e mostram o caráter da finitude de nossa existência, pois não temos como agarrar todas as possibilidades. Um sim aqui ressoa em diversos nãos ao longo da jornada e vice-versa.  Certamente não são todas as pessoas que se dão conta disso. O fato de a maioria ter em pensamento que muitos são os nossos poderes de escolha faz com que todas elas sejam banais, sem importância, e sejam feitas sem nenhuma reflexão dos seus resultados. Ação e reação. E o resultado pode ser um tédio profundo. Mas o tédio não é um privilégio de uma classe de pessoas, ele faz vítimas generalizadas. 

Por que o tédio é uma concepção moderna? Pois, foi na modernidade que fomos libertados de toda a tradição e a partir daí cada um deve por si mesmo buscar seus próprios significados e contextualizá-los dentro da sua órbita individual e coletiva.  Segundo o filósofo Lars Svendsen o tédio não tem mais do que 300 anos. 

Apesar da sua natureza comumente negativa, também existe o lado positivo quando há consciência no sujeito que sofre de tédio, pois somos levados a reflexão e quem sabe, ao autoconhecimento, que cientes do nosso estado podemos buscar a transformação e com ela um novo leque de possibilidades se abre. Aceitar o momento entediante é o caminho, defender-se contra ele é fugir de si mesmo. Há um papel construtivo em aceitar o tédio e não ignorá-lo, ou mesmo em tentar afugentá-lo através da diversão e da busca pelo prazer, afinal de contas essas emoções são tão impermanentes como todos os momentos que permeiam a existência humana. MOVIMENTO de humores, sensações, estados de consciência. “Viva uma mentira, dance para sempre.” 

Toda eternidade é entediante. E foram envolvidos pelos véus do tédio que Eva e Adão comeram o fruto do conhecimento e se libertaram do paraíso (a eternidade).

Quando se instala o tédio “Que deve ser feito, então? Nada senão continuar. Retornar ao cotidiano. Continuar como sempre se fez. Ir adiante, embora não se possa ir adiante. Ir adiante no agora, quando nem passado, nem futuro parecem oferecer nenhuma base para onde se deveria ir.” 

Á primeira vista parece uma solução negativa de combater o tédio, porém o tédio não pode ser combatido ou enfrentado. Quando o fazemos e colocamos o lazer, entrenimento, a busca por Deus ou qualquer outra coisa afim de erradicar o tédio, elas nada mais são do rotas de fuga. O ideal é buscar cada coisa por si mesma, e não para disfarçar as rugas de nossas insatisfações.  Distrações para apaziguar ou extinguir a dor e o sofrimento é desumanizar-se. Existe um caráter edificante em todos os tipos de sofrimento, angústia, tédio ou qualquer outro mal que venha a nos afligir. Quando encaramos o tédio como um fenômeno natural da vida humana e contingente ele se esvai da mesma forma em que surge. Minimize o grau de importância e busque novos significados. 

E como saber se o mal que me aflige é o tédio?! 

Quando falta um propósito na vida;

Uma dessintonia com o mundo ao nosso redor;

Quando as possibilidades simplesmente desaparecem e tudo se torna distante demais. 

“Da mesma maneira que no tédio situacional desejamos o desaparecimento do presente, queremos escapar também do lugar onde estamos. E assim como o tempo virtualmente implode em tédio existencial, tornando-se uma espécie de tempo presente eterno e enfadonho, todo o nosso ambiente perde sua vitalidade, e a diferença entre o próximo e o distante desaparece.” 

Quem nunca sentiu tudo isso? E quantas vezes usamos o entretenimento vazio para afugentá-lo na tentativa de fugir da realidade? Cria-se uma ilusão, afasta- se a possibilidade de refletir sobre o modo como vivemos e conseqüentemente as transformações necessárias para se alcançar novos significados e até mesmos novos signos e perspectivas se perdem. 

A busca incessante pelo interessante tem um prazo de validade curto, pois toda a novidade tende a se tornar rotina, como já bem enfatizou Schopenhauer, que falou sobre o fim para o ciclo de vontade – satisfação – tédio – sofrimento através da arte, sobretudo a música. Porém, até mesmo a musica chega ao fim. 


Abaixo segue algumas citações que achei importante: 

“O Momento é sempre indefinidamente adiado. O momento – o verdadeiro significado da vida – só aparece de forma negativa, a da ausência, e os pequenos momentos (no amor, na arte, na embriaguez) nunca duram muito. O problema reside, antes de mais nada, em aceitar que tudo o que é dado são pequenos momentos, e que a vida oferece muito tédio entre estes.”

“Uma coisa é aceitar o próprio destino, outra coisa é amá-lo.”

“É possível ser feliz sem ser superficial. O mais comum, no entanto , são pessoas infelizes e superficiais.”

“O tédio não nos conduz a nenhuma compreensão profunda, abrangente, do significado do Ser, mas pode nos dizer algo sobre como realmente vivemos nossas vidas. Isso talvez não fosse suficiente para Heidegger, mas é só o que o fenômeno pode oferecer.”

“Ele fica entediado porque falta à vida um propósito e um significado; e a tarefa do tédio é atrair nossa atenção exatamente para isso.” 

“Como o tédio nos força a isso? Privando-nos de tudo, através da indiferença, de tal modo que não encontramos mais apoio em lugar nenhum. As coisas perdem sua significação uma por uma – tudo desmorona num todo indiferente.” 


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Ser mãe é...


Foto Michelle Castilho

Ser mãe é sem dúvidas um dos papéis mais grandiosos que uma mulher decide viver, de repente sua vida vira ao avesso, suas prioridades mudam completamente e isso é só o inicio de uma série infinita de transformações que começam.  Você olha para trás e vê que poderia ter feito mais, que desperdiçou oportunidades que agora terão de ser construídas na base de muito sacrifício, força de vontade e dinheiro. Porque de repente ele some nas farmácias da vida e o que sobra é quase nada. 

Noites perdidas embalando o bebê, dando o melhor de si e recebendo de volta tudo que há de melhor também, os sorrisos, os primeiros passos, dentes e palavras.  Vida própria é uma palavra que não caberá mais, pelo menos nos primeiros 10 ou 20 anos. Será?! Você trabalha, estuda, cuida da casa, do bebê e às vezes de si mesma.  Livros que se acumulam na estante, unha por fazer, casa bagunçada, galinha pintadinha, refeições frias e interrompidas, etc. Todo dia temos um grande aprendizado, e eu particularmente, inúmeros arrependimentos também. De não ter feito outra faculdade, de não ter feito um mestrado, de não ter me dedicado às aulas de inglês e tantas outras chances que tive e simplesmente não abracei a tempo.  Escolhas.

E apesar de fazer tudo para o seu filho você continuará achando que poderia ser uma mãe melhor, enquanto vê as outras mães que não esquecem a chupeta, estão com todas as roupas do neném passadas, dando leite materno exclusivo, e só você não tem tudo sob controle. Doce ilusão. Expectativas praticamente inatingíveis. Você vai dar sempre o seu melhor e haverá algo por fazer, alguém a criticar o modo como você educa seus filhos e por ai vai. Entre a teoria e a prática há um abismo, que só quem é mãe/pai sabe.  E dentro da rotina de cada família, situações que outras pessoas não têm idéia. A realidade é que cada um sabe de si mesmo e a forma mais saudável e feliz de conduzir uma família.

Nunca seremos as mesmas mulheres. No dia em que nasce o bebê, não necessariamente nasce a mãe. Sinto que ela se constrói a cada dia, aflora serena e lentamente. Na mesma proporção nossos filhos vão crescendo e nos surpreendendo, alegrando os dias com suas peripécias e aprendizados.  Não existirá ninguém neste mundo que amaremos tanto quanto eles, apesar de todos os pesares que a escolha de ser mãe envolve. E seguiremos cansados, mas felizes, porque eles têm saúde, tem o sorriso mais lindo do mundo, é um misturinha perfeita de uma história (quase sempre) feliz de um amor. O sentimento é que toda a sua vida a conduziu para esta experiência de "ser mãe".

É divino, é mágico e assustador! Todos os adjetivos de uma grande aventura. A saga perene onde heróis, bandidos e arautos se misturam em todos os personagens. A verdadeira jornada do herói em 12 passos.



Enquanto o tempo passa tentamos ajustar nossas rotinas, sonhos e frustrações para que a felicidade nos acompanhe nas nossas escolhas. E resistindo a paralisia que ataca muitas mães, que desistem de si mesmas para criar seus filhos.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A difícil tarefa de admitir seus próprios erros


Os erros fazem parte de todos que se propõem a construir algo, mesmo que seja contra a nossa vontade e esforço. O ego, esse pavão bonitinho que mora dentro de todos nós, é sempre o primeiro a impor os obstáculos quando a tarefa é admitir os erros. Nem mesmo as máquinas são perfeitas, por qual razão julgaríamos que nós, demasiado humanos que somos (parafraseando Nietzsche), não estaríamos sujeitos a equívocos?! Pretensão boba. O ideal é caminhar com a consciência de que eles são inevitáveis e fazem parte de nossa jornada evolutiva. Aprendemos, erramos, tentamos, mas a humildade deve ser a chave mestra, já que reconhecer o erro não é tão comum quanto cometê-lo.

A humildade, uma das mais raras e nobres virtudes, não é tão acessível ao ser humano. Mas quando o somos, é um sinal de que reconhecemos nossas limitações e fraquezas. E isso se chama autoconhecimento. Estado de presença da consciência.

Quem se cobra e culpa o tempo todo, certamente vai encontrar mais dificuldade em admitir seus erros e aprender com eles.  Para essas pessoas, errar é sinônimo de inferioridade e humilhação, e elas tentarão a todo custo escondê-los das outras pessoas, ou, quando eles vierem a tona, não saberão admitir, porque seria como se desnudar perante a sociedade.

Pedir desculpas pode não reparar os erros, mas é o primeiro sinal de “grandeza” (não sei se esta seria a palavra certa).  Tentar consertá-lo é o segundo passo, com muita conversa, clareza e honestidade para que as conseqüências não sejam tão desastrosas e que todos possam se beneficiar aprendendo com eles.


Podemos pedir desculpa, mesmo quando não fomos solicitados a isso. E não é difícil, creia. Basta deixar o egozinho tirano de lado para experimentar essa sensação de plenitude que é se redimir. A razão é o que menos importa nesses momentos, e sim a nossa capacidade de reinventar, aprender e transformar toda a carga negativa de um equívoco em leveza, plenitude e doçura. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Para encontrar seu próprio caminho







Encontrar o próprio caminho não é uma das tarefas mais fáceis, muitas vezes vamos caminhando, meio perdidos em busca daquilo que nos complete e esteja em sintonia com a nossa alma e a nossa busca. Acredito que cada um possui dentro do seu próprio foro íntimo as respostas certas para suas dúvidas e aflições, mas muitas vezes sufocamos nossa intuição em detrimento daquilo que as outras pessoas sugerem. Palpites a parte, ninguém melhor do que nós mesmos para saber qual é o nosso caminho e por onde devemos arrastar nosso saree. E ainda assim teremos que desviar nosso foco das inúmeras instituições sociais e pessoas que, tentarão com os melhores argumentos do mundo, suprimir nossa individualidade e nos encaixar no enorme perfil maçante da maioria.

Nem sempre o que funcionou para o outro, será adequado para nós. Não acredito que somos seres indispensáveis e todo esse blá-blá-blá de que somos insubstituíveis, porém creio que cada pessoa tem dentro de si suas próprias particularidades que devem ser levadas em consideração. Só podemos ser felizes, ou ao menos experimentar com frequência a felicidade, quando estamos fazendo aquilo que gostamos.

Como saber que estamos no nosso caminho?! Quando estamos de coração leve, satisfeitos, contentes e em sintonia com o que acreditamos ser a Verdade. O seu inverso, que é um vazio interior, uma insatisfação profunda com a vida que levamos hoje, indica que ainda não estamos trilhando a nossa própria jornada.

O ideal é que possamos ser transformados no meio do caminho, e que a evolução seja o propósito, não em vista de nosso próprio benefício exclusivamente, mas que ele possa ressoar na vida de outras pessoas e que mude a paisagem ao nosso redor.

Uma reflexão verdadeira e profunda, seguido de ações e uma dose extravagante de coragem pode nos colocar pelo menos no inicio da nossa caminhada. Fácil não é. Mas não há nada mais gratificante do que sentirmos que estamos no nosso caminho, nem que isso leve a vida inteira para ser concretizado.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Metas falíveis do ano novo





Mais um ano começa. Com ele uma mala grande de expectativas que vamos carregar até o fim, ora decepcionados por coisas que poderiam ter sido e não foram, ora realizados pelas metas que conseguimos cumprir até o final. 

Chega o fim do ano e todos estão ansiosos para que ele termine logo. Parece que o novo sempre causa entusiasmo e esperança de mudanças. Isso é bom, é como se ganhássemos uma página em branco para escrevermos tudo de novo. Mas o fato do calendário trocar, não significa que seremos pessoas diferentes. Eis o mistério porque muitas vezes essas metas anuais são um verdadeiro fracasso. Boas intenções são sempre solapadas por nossas atitudes. A mudança é algo que precisamos experimentar dentro de nós, verdadeiramente.  Enquanto isso não acontece, não vai ser a sua lista, ou a cor da sua roupa do ano novo que irá mudar alguma coisa. 

Eu, particularmente, desisti de fazer metas anuais. Agora faço metas para a vida, porque o tempo é tão relativo, insuficiente em alguns momentos que 365 dias pode ser pouco ou uma eternidade. Metas para a vida em movimento: corta alguma coisa, adapta outra e acrescenta conforme o nosso próprio ritmo individual, nossa vontade interior. 

Há um espaço sagrado dentro de cada um, que pode ser percorrido todos os dias do ano. Nele todo o tempo é a eternidade. Muitas vezes não conseguimos acessá-lo por falta de vontade e pelas circunstâncias da vida que vão nos cegando lentamente. Mas não há porque desesperar. Cada indivíduo tem o seu próprio relógio, alarme, sininho para despertar. Enquanto isso não acontece vamos sambando pelos véus de maya.