segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A solidão nos tempos modernos



Estamos cada vez menos habituados a ficar sozinhos e sem estímulos externos.  Inúmeras são as formas de nos mantermos em conexão com  as pessoas e o mundo; e escassos são os momentos em que ficamos em paz dentro do nosso próprio eu – caverna interior, e por ai caminham as metáforas.

Obviamente que faz parte da natureza humana as trocas e simbioses, mas da mesma maneira e talvez seja paradoxal, também é preciso momentos de solidão, pois dentro dela há a possibilidade de se reconstruir através da voz interior que guardamos e insistimos em abafá-la.

A solidão tornar-se destrutiva quando perdemos a capacidade de interagir com o mundo, as pessoas, coisas, situações, signos e significados. Afinal de contas, todo processo evolutivo é uma justa medida entre estar no mundo, atuar (no bom sentido) e saber se retirar do palco.

Hoje são poucos os indivíduos que se sentem a vontade dentro da sua caverna, porque há um super estimulo ao egocentrismo e nos tornamos dependentes dos olhares alheios.  A preocupação de como os outros nos enxergam é mais importante do que quem realmente somos. E para fugir de quem realmente somos, sentimos tédio, tristeza ou angústia quando estamos sozinhos e para fugir do vazio existencial nos refugiamos nas multidões, mesmo que não signifique muita coisa e nem cause alguma transformação no nosso humor.

“Paradoxalmente, o egocêntrico torna-se mais solitário que aquele que aceita a solidão, pois o primeiro está cercado apenas por espelhos, enquanto o segundo pode encontrar espaço para outros que são genuínos.” Lars Svendsen.22

Para desfrutar da plenitude de realmente estar só consigo mesmo é preciso um mergulho corajoso rumo ás nossas profundezas e abandonar o conceito de que solidão é estar esquecido, desamparado e toda a conotação negativa que temos sobre ela.  Muitas vezes estamos acompanhados, rodeados de pessoas e nos sentimos sozinhos.

Mesmo vivendo numa era em que o individualismo é predominante, paralelamente desaprendemos ou nunca aprendemos de fato, a ficarmos sozinhos. Por mais entediante que possa ser levar uma vida em constante solidão, ela também pode amadurecer os frutos do autoconhecimento, pois temos dia a dia a possibilidade de refletirmos sobre a vida. Porém muita reflexão e pouca ação podem acabar sendo uma desastrosa experiência, pois viver também é agir.

Cada um dentro do seu próprio cotidiano deve buscar a sua justa medida. Uma sintonia sutil entre si mesmo e o mundo. Acolher, expandir e recolher-se a sua própria significância.

Um comentário:

Brunno Lopez disse...

Justamente, as pessoas olham a solidão com indiferença sem compreender o fator primordial de reflexão e autoconhecimento que a mesma proporciona.

Belo texto.