quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

As moradias da felicidade





Pipocam textos, blogs e projetos que se aprofundam sobre a busca e a realização da felicidade.  Fico muito encantada com isso e reparei que sempre essa busca tem um movimento inicial de se desprender de velhos padrões e se arriscar em algo totalmente novo, mesmo que seja reforçado que isso não é uma fórmula. 

No imaginário de uma maioria do passado, sinônimo de felicidade estava totalmente relacionado com o ingresso numa boa universidade, depois um bom cargo em uma multinacional ou emprego público, formar uma família, ter filhos, educá-los, se aposentar para ai sim poder desfrutar da vida. Mas isso falhou. Essa sequência só fez postergar o encontro do indivíduo com a plenitude. Talvez a graça disso tudo seja reajustar essas ordens, cortar itens que são completamente dispensáveis. Afinal de contas, esse modelo arcaico só fez é gerar pessoas estressadas, infelizes que vivem sob calmantes, terapias e por ai vai.

Nem todas as pessoas precisam de filhos. Vide quantas mães você conhece que não cria, educa e não tem a menor vocação para isso. Nem todas as pessoas precisam de uma carreira estabilizada, vide quantos funcionários públicos enrolam, enrolam o serviço, chafurdam em tarefas entediantes. Vide quantos executivos estressados, infelizes e sem tempo para si mesmo habitam este planeta de terno e gravata em pleno verão.

As vezes, o que precisamos para ser feliz é justamente abandonar essa receitinha sem gosto que a sociedade nos impõe para desfrutarmos de uma vida próspera. Prosperidade e luxo não são sinônimos de bens materiais, mas sim de abundância. Podemos ter relações verdadeiras em abundância (isso traz felicidade), podemos nos envolver em mais projetos, ao invés de nos dedicarmos apenas em um (isso traz diversidade), podemos ficar mais próximos da nossa família (isso traz mais amor), e podemos nos aventurar pelos nossos sonhos, é arriscado, mas isso traz realização, experiência, autoconhecimento.

Afinal de contas a busca pela felicidade não é apenas uma coleção de momentos felizes, ela também se constrói no fracasso, nas decepções e todas as coisas que não frutificaram, mas que trouxeram maturidade, aprendizados que podemos levar para o resto da vida.

Felicidade habita nas coisas simples. Nas coisas naturais da vida. Naturais. Uma xícara de chá com amigos, observar a natureza, o sorriso do seu filho, um carinho, uma conversa, uma conquista. Felicidade é amar e aceitar a vida mesmo com seus obstáculos.

Podemos ter uma fantasia de que viajar é sinônimo de felicidade, e pode até mesmo ser (creio que seja). Mas para quem não pode e não quer, existem outros esconderijos e moradias que esperam por nós.

Abaixo segue o link de um projeto muito bacana que acompanho e adoro! 

http://www.gluckproject.com.br/ 

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