sexta-feira, 21 de março de 2014

Uma prosa sobre os escravos do tempo



Existem momentos em que nos perguntamos o sentido da vida e por que as coisas são do jeito que são, com suas incertezas e as escolhas que fizeram com que chegássemos exatamente onde estamos. Muitas vezes criamos raízes, mas na verdade o que gostaríamos de ter criado são asas para poder se locomover com mais liberdade pela natureza pulsante do mundo. A questão não é rever os princípios que norteiam nossas mentes, e sim rever a nós mesmos e na pessoa que nos tornamos e que construímos a cada dia.

Asas se criam com o tempo, com a nossa experiência e frustração diante das amarras que nós mesmos laçamos em nós. Raízes se criam quando estamos confortáveis, satisfeitos. Julgamos ser prioridade aquela agenda lotada, o dinheiro, e tantas outras coisas que nos comprometemos sem pensar se realmente são relevantes para a construção da nossa felicidade.

Feliz é quem tem tempo. Mil livros na estante e sem tempo para ler. Mil discos na sala e sem tempo para ouvir. Mil idéias na cabeça e sem tempo para pô-las em prática. Se não há liberdade no nosso tempo, somos escravos. Escravos das circunstâncias.  

Chega um momento que precisamos desacelerar e buscar novas fontes de viver para que possamos ter paz e desfrutar dos bons hábitos que criamos, mas não temos tempo de praticar.

E é claro que desacelerar e ter tempo tem um preço. Talvez uma roupa a menos, uma viagem a menos, um luxo a menos. Mas do que vale tudo isso quando nos sentimos sufocados por todas essas supostas necessidades que jamais suprem o nosso vazio interior?

Na verdade precisamos dançar mais, contemplar, buscar uma vida mais simples, diminuir gastos, não se sentir na posição de ter que acompanhar a roda enlouquecida que as pessoas insanas se locomovem para perceber que existem novas perspectivas e uma vida bem mais interessante que espera por nós.

Seria um grande atentado contra nossa vida esperar que o tempo passe mais rápida ou lentamente, pois ele caminha conforme nosso próprio ritmo interior e quem estipula a velocidade somos nós. Então, desacelere. Triste ver as pessoas em suas roletas, girando sem parar, completamente tontas e seguindo mesmices atrás de mesmices sem se permitir um suave respiro. Rodopiando entre acordar, trabalhar, voltar do trabalho, comer e dormir como se fosse algo natural.

Não há luxo maior do ser senhor do seu próprio tempo e fazer dessa natureza fantasmagórica que escapa das nossas mãos a cada instante um aliado da nossa felicidade e não uma máquina assustadora que transforma tudo em passado e projeções do futuro. A felicidade caminha ao lado do tempo e da liberdade.

Um comentário:

Sissym Mascarenhas disse...



Querida Florzinha,

Boa crítica.

Estou em conflito nos ultimos meses por causa da falta de tempo livre.

O dia-a-dia desta cidade de transito caotico está roubando nossa qualidade de vida.

Bjs