segunda-feira, 28 de abril de 2014

O que as pessoas pensam que você é e quem realmente é você



Sábado estava conversando uma amiga sobre o que as pessoas pensam que somos e sobre quem realmente somos, e a postagem de hoje foi inspirada nesta conversa e nas reflexões que fizemos.

É engraçado como a mente humana tem a capacidade de tentar a todo custo enquadrar e rotular comportamentos / pensamentos num determinado padrão. Muitas coisas da qual não somos e almejamos ser acabam gerando uma confusão mental e conseqüentemente passamos uma imagem que não corresponde ao que se é de verdade.

Vamos aos exemplos,  se você me julgar por todos os textos que lê aqui no blog pode acabar imaginando que sou uma pessoa super altruísta, quase sem defeitos, espiritualizada, etc, etc, etc. Muitos são os padrões que posso me encaixar pelas temáticas que abordo, sendo que a realidade não é muito bem essa. Todas as questões tratadas aqui são conflitos pessoais meus que sei que servirão para ajudar outras pessoas que passam por situações semelhantes as minhas.  Quando escrevo sobre a paciência (algo que eu não tenho), é uma forma interna d’eu trabalhar este defeito. Através da escrita consigo refletir melhor sobre as emoções e como lidar com isso no dia-a-dia.

Outro ponto que devemos levar em consideração é que nós não somos unidade fechada e cristalizada. Estamos em transformação em todos os momentos. Não somos, nós estamos. Toda a vida são ciclos que caminham em espiral. Um dia estamos no alto, outro no baixo, e isso é a evolução. Esse conceito de que o processo evolutivo é linear está passado. Sabemos que muitos são os percalços e variados são os ciclos que iniciamos e encerramos. Você não é assim, você está assim.

Em tempos atrás eu escrevia muito sobre meditação, porque essa era a minha realidade. Eu estava num momento completamente diferente no qual estou hoje. E isso não quer dizer que  tudo o que eu escrevi lá atrás não tenha uma validade, esses textos são registros da pessoa que fui um dia, da realidade que me cercava. E as coisas mudam. Hoje, completamente envolvida na dinâmica de maya, já não tenho a mesma prática espiritual, mas sei que um dia isso despertará em mim novamente e estou certa que será mais um tema recorrente a ser abordado no blog. Mas o que interessa é que quem você foi um dia não pode entrar em conflito com quem você é hoje. 

Quando nos preocupamos com os julgamentos e a imagem que as pessoas fazem de nós, certamente perdemos muita energia e acabamos por suprimir quem nós realmente somos para atender um estereótipo imaginário que pertence exclusivamente a outra pessoa. Ou seja, não temos nada a ver com que os outros pensam. Não podemos controlar o que as pessoas pensam, não sabemos como elas fazem as conexões de informação e qual é seu repertório pessoal.

Quando damos valor demais para o que as pessoas pensam a tendência é termos um comportamento meio coxinha, que não expõe sua opinião e não se posiciona sobre as coisas com receio do que as outras pessoas vão achar. Isso é loucura, uma obsessão.  Se você está de bem consigo mesmo, sabe quais são os seus valores, os seus desejos, metas, tem consciência da sua própria jornada, não há o que temer. A opinião dos outros será sempre dos outros. Sou muito a favor de mostrar nossa cara, de não ter medo de ser quem somos, mesmo com todos os defeitos e incoerências.  


2 comentários:

Brunno Lopez disse...

Há um tempo atrás eu queria justamente abordar esse tema. Os rótulos e estereótipos parecem fazer parte das estruturas mais automáticas dos seres humanos, não?

Após sua publicação, fiquei ainda mais elucidado no assunto e concordando nos pontos explorados por você. Como leitor da Páprica Doce há tempos, tenho sim minha própria imagem da autora mas com a diferença de sempre tentar não descobrir sua essência verdadeira.

Bela reflexão.

Flor Baez disse...

Oi, Brunno! Esse é um assunto que rende pano pra manga, né!

Fico muito feliz de ver você por aqui há tanto tempo! Já são alguns anos, né! Veio acompanhando tantas mudanças!

Gratidão, Brunno!
Bjs
Flor