segunda-feira, 19 de maio de 2014

Amor, uma história (1)



Relacionamento é um assunto bastante recorrente aqui no blog, adoro debruçar meus pensamentos sobre como as relações nos transformam. Baseado nisso, a Editora Zahar me mandou um livro fantástico do filósofo Simon May, “Amor, uma história”. A narrativa vai passeando por cerca de 2500 anos de “amor” no Ocidente, dos filósofos gregos às reflexões de Freud.  Ainda não conclui a leitura, mas a vontade de escrever sobre ele é tamanha que farei mais de uma resenha sobre o livro. Visto que cada capítulo gera assunto a beça.

Muitas vezes enxergamos o amor como algo incondicional, eterno, e idealizamos este sentimento baseado no extenso repertório midiático como uma jornada a la novelas brasileiras, filmes hollywoodianos, que um dia na vida, num momento fatídico encontramos alguém perfeito, que supra todas as nossas necessidades emocionais e carências e assim a felicidade é para sempre traçada em nossos destinos. Pimba! Ai está o erro e o resultado são decepções tão catastróficas que embaçam todo o nosso ser. Como o filósofo Simon May diz em seu livro, o amor está muito longe de ser aquilo que porá fim aos sofrimentos das nossas vida se a cultura que predomina na sociedade atual é de que o amor é praticamente uma religião, algo tão sagrado, divino e superestimado que chega a ser irreal.

A natureza humana, se é que ela exista, não tem nada de incondicional, eterno, perene, constante. Essas são características que são mais facilmente encontradas em Deus, não no homem. Essa supervalorização do amor romântico, segundo Simone May começou lá no século XIX, com amores dramáticos, cheios de utopias e ideais do romantismo. 

O que muito chamou minha atenção e até mesmo reforçou do que eu entendo hoje como amor, foi o polêmico pensamento do filósofo grego Ovídio, que em sua abordagem destaca a liberdade que precisamos ter em relação ao ser amado e a importância dos nossos desejos carnais. O ato sexual quando não é uma obsessão é uma transcendência.  Não há nenhum mal na sedução.  Uma observação muito interessante é que para Ovídio o prazer da mulher é tão importante quanto o do homem, e isso estamos falando de uma época extremamente machista. Todos possuem as mesmas vontades e vocações amorosas.

O amor é inconstante, condicional e se concentra nas similaridades das virtudes. Um dia você diz sim a alguém, compartilha de mesmos interesses e objetivos e um dia isso tudo pode mudar. E ai não teve amor?! Teve sim, mas acabou. Como tudo que existe neste mundo inconstante que flui como um rio. Você pode amar um milhão de vezes, de formas diferentes e tudo isso pode ser amor.  Não é porque você viveu uma vez um “amor” que ele depois não possa aparecer novamente.  Sem falsas ilusões.


Conforme eu for caminhando na leitura, vou escrevendo por aqui. 


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