quarta-feira, 4 de junho de 2014

Amor, uma história (3)

Chegamos na terceira resenha sobre o livro “Amor, uma história”, do filósofo Simon May.  Hoje vou focar na visão de Friedrich Schlegel (1772-1829) sobre o amor. Coloquei a data de nascimento dele para que vocês possam ver o quão incrível é sua teoria para sua época.


Friedrich Schlegel vê no amor algo muito completo, tão completo que consegue abraçar todas as coisas, pessoas, natureza.  Amar é uma redenção, uma força que unificar todo o nosso ser e transcende todas as distinções tradicionais e rígidas. Com Schlegel as dicotomias são abolidas, não há macho x fêmea, não há natureza x humanidade, não há sensualidade x espiritualidade. O amor supera tudo isso.
O sexo não é visto por ele como uma barreira que dificulta a vida espiritual, pois um através do outro podem alcançar níveis elevados de realização.

“As regiões mais remotas da lascívia descontrolada e da insinuação silenciosa existem simultaneamente em mim... Você está a meu lado em cada estágio da experiência humana, da sensualidade mais apaixonada à espiritualidade mais espiritual.” (Lucinda)

O filósofo Friedrich Schlegel sugere que ampliemos nossas individualidades para sermos mais plenamente humanos. Isso pode soar um pouco atrevido aos olhos de quem não se permite vivenciar o amor em sua plenitude e possibilidades, mas a grande ressalva da sua teoria é incorporar o mundo dentro de nós e não rejeitá-lo como entrave para o desenvolvimento. Em vez de nos protegermos do mundo, isolados em nossas próprias cavernas, Schlegel nos convida a mergulhar na vida, viver experiências, incorporá-las em nosso ser e aceita-las como parte fundamental do que somos.

Essa teoria, na sua época, era uma forma de libertação dos dogmas cristãos. O amor não é mais um caminho que leva ao divino. Agora os homens podem experimentar serem deuses através da potência do amor. Uma heresia para o seu tempo e uma legitimação para a contemporaneidade. Amor não é um meio para nada. Amor é fusão, ele é completo, ele é aberto a tudo e não exclusivista.  Desaparecem todas as rígidas hierarquias, todos podem se amar em sua plenitude. A natureza, as coisas e os homens.



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