quarta-feira, 18 de junho de 2014

Amor, uma história (4)




Chegamos na 4ª e última resenha do livro “Amor, uma história”, do filósofo Simon May.  Os últimos capítulos se concentram em Freud e Proust, uma visão mais contemporânea sobre o amor e alguns baldes de água fria, que é claro, também faz parte dos relacionamentos. 

Ilusão 1: o amor é incondicional; Ilusão 2: o amor é eterno; Ilusão 3: o amor é altruísta. Três premissas que vão contra o imaginário humano de que o amor é esse algodão doce de domingo no parque.  Quando cremos que essas ilusões existem, acabamos por criar expectativas impossíveis no nosso parceiro (a) e indo contra o que é a natureza do humano, que de incondicional, eterno e altruísta, não tem nada ou muito pouco. 

É muito comum ouvirmos que quando o amor diminui ou acaba, ele não era de fato amor. Como se ele não estivesse sujeito as intempéries do tempo.  Seres humanos não são Deus e o pra sempre, sempre acaba. Poucos são os filósofos que reconheceram isso. Simon May, reforça que para o amor e os relacionamentos, de uma forma geral, se atualize, é preciso desenvolver a vida compartilhada e o diálogo das duas vidas. 

E o que é o amor? Simon May responde: “O amor é enlevo que sentimos por pessoas (ou coisas) que inspiram em nós a experiência ou a esperança de enraizamento ontológico, um enlevo que desencadeia e sustenta a longa busca por uma relação vital entre o nosso ser e os delas.”  Apesar do amor ser essa busca por um lar, é bom ter a consciência que jamais o outro é uma extensão de nós. Cada um, independente do ponto de fusão, tem sua própria essência, personalidade, vida, ou outra coisa que ainda não sei o nome, mas que é inviolável. Tentar controlar é uma forma de judiar e torturar o relacionamento. 

“Quando quer se apoderar da totalidade – ou imaginar a relação entre duas pessoas como a totalidade – o amor corre o risco de exigir do ser amado mais do que ele pode ser.” 

Depois de completar toda a leitura e fazer uma conexão com a minha vida, digo, o amor é mais asas do que raízes. A vida é mais asas. Óbvio que você não pode menosprezar ou mesmo  virar as costas para as suas raízes, mas chega um momento da nossa existência que as asas são mais importantes e certamente vão nos levar para mais longe, nos instigar a alçar um vôo mais arriscado, e isso é que faz pulsar nossa vontade de estar vivo, de existir plenamente.  

O amor, apesar de ser filho da riqueza e da miséria, não pode ser mendigado, cobrado. Jamais podemos exigir, forçar ou obrigar alguém a corresponder a tudo aquilo que sentimos por ela. Os relacionamentos precisam ser leves, naturais, espontâneos, apesar da nossa obsessão por ser correspondido, por ter uma resposta (de preferência afirmativa) da outra pessoa.  Em todos os planos da nossa vida, seja ele uma relação entre filhos, amigos ou amantes, jamais podemos exigir proporcionalidade, cada qual ama com suas particularidades, sejam elas semelhantes ou não com as suas. 

O livro “Amor, uma história”, é um delicioso passeio na história do amor, com paradas em Platão, Ovídio, Spinoza, Schopenhauer, Rousseau, Freud, Proust e tantos outros pensadores que se debruçaram sobre as manifestações do amor. Leitura indispensável. Você pode comprar o livro neste link da Editora Zahar. 

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