segunda-feira, 23 de junho de 2014

Os desafios da comunicação: o falar, o escrever e o sentir





Nós, seres humanos, estamos sempre nos comunicando através de muitas linguagens. Entre ruídos e compatibilidades, estamos sempre buscando uma forma de sermos bem compreendidos.  Cada um com sua habilidade, seja a escrita ou o falar, ou qualquer outra forma de entrosamento.  

Eu, particularmente, me comunico melhor escrevendo, pois tenho tempo para refletir e ser mais calma. Quando a questão é falar acabo sendo mais enfática, talvez até agressiva, o que me impede de expor com clareza e maturidade tudo aquilo que eu penso.  

Entre o sentir e explicar para o outro há um abismo, mas não intransponível se ambos estiverem dispostos e despidos de toda a armadura. Às vezes tenho a sensação de que determinados assuntos, com determinadas pessoas se apresentam sempre como um campo de batalha, onde todos estão armados e na defensiva, prontos para o combate verborrágico. Isso é completamente ilógico, pois, se o propósito da comunicação é trocar e compartilhar experiências e vivências, como podemos fazer isso se não estamos abertos ao diálogo verdadeiro, pleno e desnudo de todo e qualquer preconceito ou obstáculo?

É engraçado isso, com algumas pessoas há uma sintonia bem sutil que faz com que os assuntos escorram de forma fluida, e mesmo que as opiniões sejam divergentes, há um respeito mutuo e uma vontade de ouvir o outro, mesmo que você não concorde ou compactue com o seu pensamento.  Já em outras situações, tenho alguns conhecidos, e até amigos mesmo, em que me recuso a discutir determinadas coisas, por saber que independente do que eu vá falar, já existe algo concreto e pré-determinado que faz com que a outra pessoa apenas queira testar meus argumentos e não ouvir, nem sentir o que de fato eu tenho a dizer. Estão sempre prontos a discordar de você em tudo, até mesmo de forma agressiva. Nessas situações é automático: me fecho como uma concha, me recolho, pois sei que não poderei dar o melhor de mim.  Então, pra que perder tempo com isso? Ninguém muda a opinião de ninguém em simples conversas e discussões. Opiniões se transformam com o tempo, com a maturidade, com a nossa própria vivência e nossas escolhas.

Certa vez escrevi sobre as (in)utilidade das conversas. Elas são maravilhosas, ótimas fermentas de autoconhecimento, se temos a sabedoria de ouvir o outro. Mas se a conversa é para ser um palco de agressões veladas ou explícitas, não vale a pena.

Conversas criam vínculos quando temos em nossa comunicação a compreensão, o respeito, a sensibilidade de se colocar no lugar do outro.  Caso não esteja disposto a isso, você jamais irá poder apreciar a jóia que cada um guarda dentro de si. Porque sim, todas as pessoas são preciosas e tem algo a nos ensinar, desde que não estejamos na defensiva. 

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