quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A arte da Vida (1)



A arte da Vida é um livro do Zygmunt Bauman, que apresenta um estudo sociológico acerca da felicidade no momento contemporâneo. Como a obra induz a muitas reflexões vou dividir a resenha em partes, para que haja mais completude.

O primeiro capítulo e a introdução focam especificamente no conceito moderno de que aumentando a renda das pessoas, estas experimentariam maior contentamento. Porém, como se é esperado, não é exatamente isso que faz as pessoas mais felizes. Acredite. Os excessos trazem a incerteza e a insegurança, grandes minadores do estado de felicidade. Uma vez privados da liberdade, o indivíduo se sente aprisionado no seu montante de capital.

"O consumo não leva à certeza e à saciedade. O bastante nunca bastará."

Traçando uma análise das formas de se alcançar a felicidade e como elas são substituídas ao longo do tempo, Bauman destaca o consumismo, como a grande chave do capitalismo para ludibriar as pessoas que consumindo elas terão mais satisfação pessoal, porém o que vemos é que estas se tornam reféns do escapismo da moda e de sua liquidez, uma vez que elas estão em constante transformação substituindo seus valores a cada estação.

"Um dos efeitos mais seminais de se igualar a felicidade à compra de mercadorias, que se espera que gerem felicidade, é afastar a probabilidade de a busca da felicidade algum dia chegar ao fim. Essa busca nunca vai terminar - seu desfecho equivaleria ao fim da felicidade como tal"

Bauman enfatiza que nossas vidas são obras de arte e reforça a responsabilidade de cada um de apropriar-se do seu projeto de vida e tentar sempre o impossível, uma vez que a incerteza é o habitat natural do humano.Um dos caminhos de se alcançar isso é desviar do peso esmagador da maioria que dita o que devemos fazer e como.

Para que possamos encontrar a tal da felicidade (não aquela que parece residir sempre além do horizonte e inalcançável), precisamos nos libertar do olhar do outro, da necessidade de ser visto, adorado e estimado. Senão fizermos isso seremos eternos prisioneiros, buscando na comparação e competição estarmos a frente das demais pessoas, o que nem de perto traz felicidade, apenas a saciedade do ego e muito rapidamente a frustração e o ressentimento por não ter suprido as expectativas alheias.


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