sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Felicidade e esquecimento



Você é feliz? Do que precisamos para sermos pessoas felizes? Mais viagens? Mais dinheiro? Mais relacionamentos plenos? Mais sucesso? Mais paz de espírito? Nietzsche diz que para sermos felizes precisamos nos esquecer, onde no êxtase da felicidade nós nos esquecemos de tudo.

Abaixo segue alguns trechos do livro Segunda consideração intempestiva: da utilidade e desvantagem da história para a vida.

 “Quem pode se instalar no limiar do instante, esquecendo todo o passado, quem não consegue firmar pé em um ponto como uma divindade da vitória sem vertigem e sem medo, nunca saberá o que é felicidade, e ainda pior: nunca fará algo que torne os outros felizes.”

“Um homem que quisesse sempre sentir apenas historicamente seria semelhante ao que se obrigasse abster-se de dormir.”

“Penso que esta força crescendo singularmente a partir de si mesma, transformando e incorporando o que é estranho e passado, curando feridas, restabelecendo o perdido, reconstituindo por si mesmo as formas partidas. Há homens que possuem tão pouco esta força que, em uma única vivência, em uma única dor, freqüentemente mesmo em uma única e sutil injustiça, se esvaem incuravelmente em sangue como que através de um pequenino corte.”

“E isto é uma lei universal: cada vivente só pode tornar-se saudável, forte e frutífero no interior de um horizonte; se ele é incapaz de traçar um horizonte em torno de si, e, em contra partida, se ele pensa demasiado em si mesmo para incluir no interior do próprio olhar um olhar estranho, então definha e decai lenta ou precipitadamente em seu caso oportuno.”


É impossível ser feliz sem o esquecimento. Desapegue-se de tudo o que não faz bem, das más recordações e tudo o que consome sua energia. Deixe ir o que passou para que novos horizontes possam ser observados. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Sobre Educação e professores


Já tem algum tempo que eu queria escrever sobre Educação. Esse tema tem batido muitas vezes em minha porta, tanto por conta da maternidade, como pela licenciatura que estou cursando. 

Acredito que o papel do educador é de suma importância e precisa sempre ser revisado. Hoje é muito comum que os pais enxerguem a escola apenas como um depósito de crianças, e que lá ele será educado, ensinado e preparado para o mundo. Família e escola precisam caminhar juntas. Assim como é o papel da escola desenvolver a autonomia da criança, também é dever dos pais, por isso a prática pedagógica precisa estar em sintonia com as convicções da família.


Sendo a passagem da infância uma etapa primordial no desenvolvimento do ser humano, todo o cuidado é pouco com o que é ensinado nas escolas. Quando puderem leiam este texto do Arnaldo Preto sobre o ciclo de sete anos. Mas vou colocar uma passagem que achei fantástica:

Aqueles primeiros sete anos são os anos em que você é condicionado, é preenchido com todos os tipos de idéias que irão atormentá-lo ao longo de toda a sua vida, que irão distraí-lo de sua potencialidade, que irão corrompê-lo, que nunca irão lhe permitir ver claramente. Elas sempre virão como nuvens diante de seus olhos e irão fazer com que tudo fique confuso. As coisas são claras, muito claras. A existência é absolutamente clara. Mas os seus olhos têm camadas e mais camadas de poeira. 

E toda essa poeira foi arranjada nos primeiros sete anos de sua vida, quando você era tão inocente, tão confiante, que qualquer coisa que lhe fosse dita você aceitava como sendo verdadeira. E mais tarde, será muito difícil você descobrir tudo aquilo que entrou em seus alicerces. Terá se tornado quase parte de seu sangue, ossos, de sua própria medula. Você perguntará mil outras questões, mas você nunca perguntará a respeito dos alicerces básicos de suas crenças. 

A primeira expressão de amor para com a criança é deixá-la absolutamente inocente em seus primeiros sete anos, sem condicionamento, deixá-la por sete anos completamente selvagem, uma pagã. Ela não deveria ser convertida ao hinduismo, ao islamismo, ao cristianismo. Qualquer um que esteja tentando converter a criança, não tem compaixão, é cruel, está contaminando a própria alma de um viçoso recém-chegado. Antes mesmo que a criança tenha formulado perguntas, ela já terá recebido respostas com filosofias , dogmas e ideologias pré-fabricadas. Essa é uma situação muito estranha. A criança não perguntou a respeito de Deus e você já está lhe ensinando.  Por que tanta impaciência? Espere!

 Se algum dia a criança demonstrar interesse por Deus e começar a perguntar a respeito, então tente dizer a ela não apenas a sua idéia sobre Deus, porque ninguém tem qualquer monopólio. Coloque diante dela todas as idéias de Deus que estiveram presentes em diferentes povos, em épocas diferentes, por religiões, culturas e civilizações diferentes. E lhe diga: 'Você pode escolher dentre essas aquela que mais lhe atrai. Ou você pode inventar a sua própria, se nenhuma estiver adequada. Se todas lhe parecerem defeituosas, e você achar que pode ter uma idéia melhor, então invente a sua própria. Ou se você achar que não há jeito de inventar uma idéia sem falhas, então abandone toda essa história, ela não é necessária. Um homem pode viver sem Deus.' 

Não há qualquer necessidade de que o filho tenha que concordar com o pai. Na verdade parece muito melhor que ele não tenha que concordar. É assim que a evolução acontece.


Tudo tem seu tempo.

É o papel da escola e dos pais reconhecer a diversidade do ser humano e capacitar os pequenos a não se estranharem nas diferenças, para que estes sejam adultos esclarecidos, livres de preconceitos e aptos para escolherem por si mesmos, prontos para fazer uso de sua própria razão e sensibilidade. O conhecimento não pode esbarrar em obstáculos e retornar, não pode se acuar em zonas desconhecidas e intocadas. Tudo pode e deve ser discutido, falado, pensado, de acordo com o desenvolvimento de cada um.

Precisamos respeitar o tempo da criança. Ela terá tempo para apreender o mundo, não é necessário - e na verdade é assustador - mergulhar uma inocente criança num mundo de dogmas. Sejam eles religiosos ou políticos. Nosso papel consiste em prepará-la, oferecendo autonomia e liberdade para que ela possa pensar por si mesma, observar suas potencialidades e dificuldades, auxiliar na caminhada, mas sempre deixando que eles caminhem, mesmo que isso signifique alguns escorregões. Prepará-los para a vida e não para o vestibular ou o mercado de trabalho.

Sabemos que este modelo de educação que perdura ainda na grande parte das escolas falhou. Não podemos mais pensar que aprender é decorar eventos, fórmulas e datas. Isso só fez com que as pessoas não aprendessem a desenvolver suas próprias ideias. Não somos sujeitos no mundo, somos sujeitos que criam o mundo.

Pensem nestes ciclos de 7 anos. Pensem sempre. Respeitem.

Hoje é dia dos professores, e por isso, gostaria de lembrá-los que todos nós somos professores, mesmo não encarando uma sala de aula. Simplesmente tudo o que comunicamos aos outros e tudo o que chega até nós são expressões de um conhecimento, seja ele adquirido por métodos empíricos ou não, e eles se propagam, ecoam. Somos responsáveis por isso.

Tudo o que é dever da escola também é dever dos pais. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Resultado do Sorteio "A arte da Vida"

Olá, amigos! Bom dia! 
Hoje é o dia do sorteio do livro "A arte de Viver", do Bauman! 
Foram 257 inscrições válidas! 

E o número sorteado foi....



Parabéns, Gustavo Rosa! Você tem até segunda-feira (6/10) para responder meu email. 

Caso  sorteado não responda vamos sortear outro número aqui! ;)

Obrigada a todos que participaram!