terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que o dinheiro tem a ver com felicidade?



O que o dinheiro tem a ver com felicidade? NADA. Caso contrário, pessoas ricas não sofreriam. Mais um par de sapatos é só mais um par de sapatos, mesmo que você perceba isso daqui a um ano quando fizer uma faxina no guarda-roupa. Se existe uma coisa que eu não compreendo é a necessidade de afirmação pelo dinheiro. Não é preciso ser tão sensível para saber que ele pode comprar pacotes de viagens, um mestrado, um saco de jujubas ou uma conta luz e nunca, nunca poderá comprar afeto, relações, paz de espírito, sabedoria etc. Dinheiro é ótimo, resolve uma série de pepinos que nós mesmos arrumamos para a nossa vida, mas ele jamais será a redenção. Como isso ainda não é óbvio?! Apelando para o clichê: o dinheiro não compra felicidade. Existe um estudo científico que compara o nível de felicidade de uma pessoa que ficou paraplégica e quem ganhou na mega-sena em um ano. Para o espanto da nação, os dois tipos de pessoa têm o mesmo nível de felicidade. Leia na íntegra aqui: 

Há quem se orgulhe que sua consulta custe 200 reais por 50 minutos e que isso seja a verdadeira realização, poderia até ser se não houvesse a necessidade de esfregar isso para o mundo. Acho engraçadíssimo uma pessoa querer mostrar uma imagem de bem sucedida debaixo da asa dos outros, sem conquistar o mínimo de auto-suficiência e autonomia com a própria vida. Xuxa ganha mais do que isso apresentando um programa tosco. Quem é muito bom no que faz e muito bem remunerado não tem o péssimo hábito de soprar isso ao vento ou jogar isso na cara dos outros. Essa forma exagerada de se enxergar é a manifestação de um ego ferido, invejoso e mal resolvido – grandes máscaras para esconder a falta de amor que sentem por si mesmos. Escrevo tudo isso por ter vivenciado uma situação completamente insana relacionada com uma pessoa altiva, soberba e ignorante da minha própria família, o que me faz crer que até mesmo a família nós podemos escolher. Consangüinidade não move absolutamente nada em termos de empatia e amor. Todas as relações são construções de afeto ou desafeto, quer façam parte da sua genealogia ou não.

Conheço pessoas com doutorado, ricas e humildes. Conheço pessoas com mestrado, bem de vida e humildes. Conheço pessoas com mestrado, que pensa ter uma condição que não tem e soberbas. Conheço pessoas com ensino fundamental incompleto, ricas e humildes. Assim como o inverso de tudo isso. A questão não é o nível de escolaridade ou saldo da conta bancária, é a HUMANIDADE que habita dentro de cada um. Valores que adquirimos com as nossas vivências.

Tudo isso é só um reflexo da educação que recebemos. Fomos educados a competir um com os outros pelo viés materialista, o pior tipo de educação que um indivíduo pode ter na vida. E eu caminho no sentido oposto a isso, os valores que eu aprendi dentro da casa da minha mãe são inversos a tudo isso. Não bajulo ninguém. Ela me ensinou a respeitar as pessoas e valorizar a felicidade, não o dinheiro. Por esta educação que eu recebi é que hoje eu prefiro colecionar momentos incríveis com pessoas queridas do que dinheiro na poupança. O que eu ganho é o suficiente para custear minhas despesas, parcas extravagâncias, e sou muito feliz assim. Tenho minha casa, minha filha, meu marido, pessoas queridas, uma piscina de plástico no quintal para os dias mais quentes, meus livros na estante, muitos sonhos e problemas como qualquer outra pessoa. 

O problema não é dinheiro em si, mas na dificuldade do homem se relacionar com ele. A soberba é uma enfermidade a ser tratada, pelo amor ou pela dor. Quem gosta de exibir segurança no que faz geralmente esconde uma tremenda dificuldade em sua tomada de decisões. Do lado oposto da soberba mora a humildade, uma virtude que só quem possui autoconhecimento pode ter.

Para finalizar, como já disse Arnaldo Antunes: dinheiro é um pedaço de papel.





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