quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Reflexões sobre 2014


Para onde for sua atenção é ali que a vida irá crescer. Assim você cria as circunstâncias que virão ao seu encontro. Pergunte a si mesmo: o que me esvazia e o que me preenche? Desvie a atenção das áreas que drenam seu poder. Descubra o que faz seu coração bater mais forte e coloque sua energia naquilo. Descubra seu propósito e essa será a sua paixão. Então não haverá tempo para que ervas daninhas reivindiquem sua atenção.
Dadi Janki

Hoje, ao acordar, li esta mensagem e ela ressoou dentro de mim, pois depois de tanto tempo finalmente venho fazendo coisas e cultivando hábitos que realmente fazem meu coração bater mais forte e enxergar um sentido na minha existência, mesmo que ele não seja tão abrangente quanto eu gostaria que fosse, mas já é um caminho. Após a pequena leitura comecei a pensar no meu ano e como ele foi confuso e ao mesmo tempo libertador.

2014 foi um ano muito difícil, não só para mim e na esfera geográfica do meu umbigo, mas para muitas pessoas. Talvez seja Saturno, colocando pressão para mudarmos os degraus da escada e das perspectivas do olhar. Entre crises existenciais e rompimentos, entre novos caminhos e dificuldades, a notícia é que 2014 continua até março de 2015, até lá nosso papel é segurar os forninhos como a pequena Giovana.  Paciência talvez seja a palavra-chave.

Durante algum tempo vaguei procurando este propósito e ele veio na forma em que eu mais gosto de colocar minhas energias: no estudo, no conhecimento, no processo dialético que ele coloca os indivíduos de se construírem destruindo alicerces antigos. A licenciatura de História chegou como um projeto de vida e mesmo ainda no inicio de toda a jornada já sinto o quanto ela provocou mudanças dentro de mim. Uma delas é sair do reino do achismo, da opinião. Elas pouco interessam e em nada mudam os fatos, exceto pelas energias de ânimo ou mal estar (sua ressonância mais óbvia).  Isso justifica minha parca produção no blog este ano, que surgiu sem meta, tomou um rumo e provavelmente irá tomar outro. Não é possível fazer mergulhos profundos sem deixar que as mudanças naturais aconteçam por si mesmas e se tentarmos impedir isso certamente não valerá de nada o esforço.

Neste tempo que em me formei em jornalismo e comecei a fazer história foram 3 anos. 3 anos sem estudar, sem aquelas cobranças intelectuais que para mim sempre foi um desafio e um prazer. Pela primeira vez tenho uma ambição, tenho o desejo de ser muito boa no que eu estou fazendo. Observei que nesses 3 anos minhas palavras murcharam e eu não posso ficar sem estudar, pois não estudar é não conhecer o que ainda está obscurecido. É padecer num reducionismo, num achismo completamente sem fundamento, irracional e ilógico. Achar que sabe tudo é pior soberba que um ser humano pode cometer contra si mesmo.  É como recusar que as nossas potencialidades sejam desenvolvidas em prol de qualquer outra coisa do mundo real que nos torna mecânicos - máquinas a reproduzir aquilo que óbvio deseja.  Dentro da mediocridade humana que predomina e se apossa dos pensamentos, é papel de cada um, em sua individualidade própria encontrar subsídios que façam emergir além da superfície. Não é uma tarefa fácil, mas é ela que confere sentido e valor a nossa existência.  

Voltando a reflexão de 2014 e como ela fez uma tremenda dança das cadeiras, hoje me ponho a estar nos lugares e com pessoas que no interlúdio da ausência faz com que meu coração vibre em estar próxima, dos geograficamente distantes e próximos. Ironia da vida, quem você mais gostaria da presença é quem está em momentos esporádicos com você, talvez isso crie uma áurea mágica nas pessoas.  Isso, entretanto, não fez com que eu desvalorizasse os que estão próximos, são eles que dão a alegria do dia, a cor vibrante mesmo quando tudo amanhece em tom pastel sob a nuvem furtiva da saudade. Tenho primado pela qualidade de todos esses encontros e que eles possam ir além de conversas tolas sobre a meteorologia. Isso necessariamente também incluiu um certo recolhimento meu das redes sociais após as eleições. Foi muito desgaste emocional para pouca coisa. A cada dia venho ficando mais distante do virtual e mais presente na realidade, seja olhando a Kalindi dançar na sala, ou lendo meus livros (que estão se acumulando na estante) ou fazendo uma coisa diferente para jantarmos. Tenho preguiça, muita preguiça de olhar a timeline do Facebook, de responder as inúmeras mensagens de whatsapp (sobretudo as dos grupos que atropelam o irrelevante) e de me fazer presente para perfis. Venho acessado de forma objetiva as páginas do meu trabalho, mas sem grande envolvimento e perda de tempo com o que não interessa. Perdi a vontade. Estou fechada para balanço. F5.

 2014, sobretudo seu inicio, foi o ano do cansaço para mim. Cansaço de fazer as mesmas coisas, de ouvir as mesmas ladainhas e não ver o cenário mudar. Acontece que neste ínterim eu mudei, mudei muito. Perdi o medo de todas as coisas que me assombravam e isso me deu coragem para assumir quem realmente sou e todas minhas características que vão ao desencontro do socialmente aceitável.  Não desejo ferir, nem machucar ninguém, mas também não estou disposta a agradar sufocando a mim mesma. Assim como me vejo muito mais aberta a vivências e desafios do que outrora, aceitando minha alma cigana que por algum tempo foi sufocada pela mesmice dos dias.

Sou grata ao universo e a dinâmica da vida por ter postos pessoas no meu caminho e tirado outras. Axé?! Axé! Mãos invisíveis que não são nem tão mãos e nem tão invisíveis quanto a própria natureza do devir. Assim foi (e está sendo) 2014, tirando coisas do caminho, colocando tantas outras, desde obstáculos a mais livros para que eu pudesse de forma criativa encontrar o instante de paz no meio do caos. Entre forças de determinação e preguiça vou guiando meu corpo a este novo propósito e esperando que 2015 seja mais ameno.


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