quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Uma montanha russa chamada: maternidade.



Hoje quero escrever sobre maternidade e como as coisas se transformam quando embarcamos nessa montanha russa que é amar, cuidar e educar outro ser humano. Os ciclos de mudanças existem para todo mundo, vivendo a maternidade ou não. Muitas são as vias da existência e crescimento pessoal, a maternidade não faz ninguém mais especial por que está vivendo ela. Depois que minha filha nasceu passamos por muitos baixos e altos, nesta ordem, pois foi exatamente assim.  Hoje, na plenitude de ser mãe vejo o quanto minha filha e as situações que vivemos juntas proporcionaram a mim um engrandecimento pessoa incomensurável. Vou pontuar algumas:

1.       Minhas decisões precisam ser pensadas. Aquele impulso instintivo deu lugar a reflexões antes de tomar uma atitude. Obviamente que as coisas eram mais fáceis do que atualmente e as mudanças requisitavam apenas, coragem. Hoje eu preciso de coragem e planejamento.

2.       Apesar da vivência negativa do puerpério, com a fragilização do meu corpo, veio a crise de identidade “quem sou eu”, um peito?! Uma mãe?! Eu mesma?! E quando isso passa o que eu vi foi nascer outra mulher, mais empoderada, com a autoestima no seu lugar, mais madura, objetiva, prática e bem resolvida com o mundo, sem vergonha, sem medo de ser quem eu sou, sem medo das mudanças, sem medo dos julgamentos dos outros. Foi-se embora junto com a menina que eu era as picuinhas, as pequenas coisas mal resolvidas, o ciúme, o sentimento de posse e de querer controlar todas as coisas ao redor. A maternidade me deu a sabedoria de desfazer os próprios nós que eu criei ao longo dos anos.

3.       Uma das coisas que mudou com a maternidade foi a necessidade de me afastar dos tóxicos: pensamentos tóxicos, pessoas tóxicas e situações tóxicas. Minha vida inteira foi permeada por pessoas, em diferentes esferas e ocasiões, que tentaram e tentam me ridicularizar e me diminuir. Só que eu passei a me amar tanto, a me aceitar tanto, que o espaço para esses discursos e pensamentos opressores diminuiu. Não que eles não existam mais, quando em vez aparece alguém para me xoxar. Seja a forma como eu me posiciono na vida e nas lutas sociais, seja meu batom azul, meu cabelo laranja, o fato de que hoje eu tenha uma dependência maior com meu companheiro, por não  poder/conseguir atualmente trabalhar fora e viver de freelas em decorrência da maternidade. Sempre tem alguém para te criticar, te diminuir e socar sua autoestima, mas eu estou tão bem resolvida comigo que isso me afeta muito pouco, ou quase nada. Só machuca mesmo quando vem de alguém que você nutre muito afeto.

4.       Outro ponto que foi muito importante na minha vida pós-maternidade foi a retomada dos estudos. Com o nascimento dela ficou muito claro que eu precisava fazer outra coisa profissionalmente, algo que eu sentisse prazer, satisfação de fazer e em meio a tantas reflexões e assimilações com coisas que aconteceram no passado me aventurei numa nova graduação no qual foi a amor a primeira vista: História, licenciatura. Ali pude vislumbrar realmente a junção dos meus potenciais com meus sonhos. Se ela não tivesse nascido bem provável que eu estaria na mesma situação, cansada de fazer o que eu fazia, porque não era aquilo e resignada. A maternidade me deu potência, já que nunca quis que o fato de ser mãe me impedisse de fazer escolhas autônomas, ainda que elas sejam mais difíceis. Ao longo dos 10 anos de relacionamento com meu companheiro sempre dividimos tudo na sua devida proporção e mesmo que atualmente minha contribuição financeira não seja a mesma dos anos anteriores isso não me culpabiliza.


5.       A verdade de ser quem eu sou, sem medo de ser quem eu sou, com a bagagem de todos os erros, os acertos, os processos e transmutações que eu passei que me ajudaram a tornar a pessoa de hoje: incrivelmente menos egoísta, mais altruísta, mais sensível, ainda que isso signifique não deixar as pessoas pisarem em mim. Em dois anos e meio fui remodelando todas as minhas relações: com meu companheiro, com meus amigos, com minha família. Buscar novas configurações para se relacionar conjugalmente, o que salvou nosso casamento em meio tantas crises e mudanças. Parar de exigir dos amigos a presença que você também nunca deu e compreender as limitações de cada um. Com a família a valorizar quem está perto de você – mesmo longe, quem se preocupa, quem se importa, quem nutre afeto, quem participa, quem luta, sofre, sorri e comemora junto. Família não é parente, nem parente é família. Os laços afetivos, todos eles são construções sociais regadas de respeito, empatia, amor e unidade na diversidade.

Por tudo isso e muito mais que sou muito grata a filha que tenho, que mesmo tão pequena já me proporcionou transformações tão substanciais que eu só tenho a agradecê-la por isso. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Sorteio do livro "Cadeia: relatos sobre mulheres", Débora Diniz



Terminei de ler esta semana o livro Cadeia: relatos sobre mulheres, da Débora Diniz, Editora Civilização Brasileira. O livro reúne histórias diversas de mulheres muito parecidas entre si no contexto prisional feminino.  É um mergulho dentro de um universo que causa desconforto, causa um incômodo, mas extremamente necessário para vislumbrar outras realidades que nos escapam.  As cinqüenta histórias ali presentes são reais, de mulheres, sobretudo pobres, negras e pardas, que não tiveram acesso a educação e dependentes de alguma droga – esse é o retrato comum que abrange quase todas as presidiárias.

Cadeia: relatos sobre mulheres é um livro que dá voz a essas mulheres marginalizadas, onde as vemos cruas, com suas vivências desnudas de todo o aparato acadêmico e científico, afastado do formato de reportagem. São elas mesmas e suas vozes com suas questões embaraçosas que tornam o livro inquietante e nos faz devorá-lo em pouco tempo.

O que a autora faz é fugir de toda a metodologia usual para trabalhar com relatos de prisioneiras. Débora Diniz apenas ouve silenciosamente suas histórias, sem fazer perguntas ou questioná-las, e é isso que torna o livro especial, pois cada pedaço de vida exposto ali é natural, ainda que carregue nas arestas particulares de cada relato sua tragédia, sua ironia, sua indignação, seu sofrimento.

A Editora Civilização Brasileira disponibilizou dois exemplares para sortear aqui no Blog. A dinâmica é igual aos demais sorteios que realizo por aqui: 
Residir em território nacional
Curtir a Fanpage da Editora Civilização Brasileira, clicando aqui; 
 Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia 24 de Novembro. Boa sorte! Não se esqueçam de cumprir as regras! 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Resultado do Sorteio "Problemas de Gênero", Judith Butler

Olá, querides!
Fiquei muito feliz com o sucesso do sorteio do livro "Problemas de Gênero", de Judith Butler.  Foram 225 participações.

A Editora Civilização Brasileira liberou dois exemplares e os sortudos são:





Parabéns, Juliane e Thiago! Vocês cumpriram as regras e agora fico no aguardo do endereço para efetuarmos as entregas. Os sorteados têm 72h para responder nosso e-mail, caso contrário, realizaremos um novo sorteio.

Fiquem ligados na minha página, pois em breve teremos outros sorteios dos títulos da Editora Civilização Brasileira.

Um beijo,
Flor,

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Sorteio do Livro "Problemas de Gênero: Feminismo e subversão da identidade", Judith Butler



Recebi da Editora Civilização Brasileira o livro “Problemas de Gênero”, da filósofa Judith Butler, um clássico para nos ajudar a desnaturalizar o conceito de gênero. A obra é uma leitura desafiadora e convida o leitor a desconstruir tudo àquilo que ele entende por sexo, gênero, corpo e as diferenças entre homem e mulher, dando fim a lógica da estrutura binária que empurra os indivíduos para uma heterossexualidade compulsória e colocando a questão do gênero como sendo um problema muito mais político do que do sexo.

A sexualidade e o sexo, entendidos pelo senso comum como uma espécie de verdade natural e biológica, também são construções do discurso e possuem suas próprias historicidades. A performatividade entre oposições binárias, como macho x fêmea, vagina x pênis é mantido pela ordem que força a construção de sexos fixos, o que acaba por marginalizar e oprimir xs sujeitxs que não se sentem contemplados dentro desta estrutura, o que é o caso das transexuais e travestis, ainda que existam outras possibilidades de subversão da ordem compulsória.

“Somos obrigados, em nossos corpos e em nossas mentes, a corresponder, traço por traço, à idéia de natureza que foi estabelecida para nós [...] ‘homens’ e ‘mulheres’ são categorias políticas, e não fatos naturais.”

Os padrões estipulados socialmente moldam os comportamentos de forma violenta e quando Judith Butler diz que os gêneros são performativos isso quer dizer que ninguém pertence a um gênero desde sempre e que a heteronormatividade acaba por tentar nos enquadrar (mas nós vamos resistir!) em nossos lugares de gênero.

As pessoas desviantes em suas apresentações de gênero estão subvertendo a imposições sócio-culturais sobre os corpos e apresentando novas possibilidades de ser no mundo, e que estão longe de ser encaixar nessas operações categóricas de generalização do corpo.  Além do repertório teórico sobre os problemas de gênero que provocam a normatividade, a obra de Judith Butler é uma proposta de resignificação da sexualidade que transcende os padrões da matriz heterossexual.

Para a nossa alegria a Editora Civilização Brasileira disponibilizou dois exemplares para sorteio aqui no Blog. Para participar você deve:
1.       Residir em território nacional;
2.       Curtir a Fanpage da Editora Civilização Brasileira, clicando aqui;
3.       Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia 5 de Outubro. Boa sorte! Não se esqueçam de cumprir as regras! 

(Precisei alterar a data do sorteio, pois no dia 30 de Setembro estarei viajando fora da área de cobertura)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Como se irritar menos com as pessoas?



Pessoas inoportunas, implicantes, intrometidas, difíceis de um modo geral estão por toda parte. E com certeza todos nós (ou a maioria) fazemos parte desse grupo seja lá qual for a chatice que nos acomete.  É praticamente um exercício lidar com as diferenças das pessoas. Nós nos esforçamos, relevamos as obtusidades alheias sabendo que a tolerância é uma ótima atividade inclusive para o nosso autoconhecimento.  Compreender as motivações para as pessoas serem exatamente como são  não é uma tarefa fácil, geralmente você observa de longe a carência, a necessidade de chamar a atenção.

Para quem tem redes sociais são tempos difíceis. Parece que só tem gente pentelha.  Você posta uma coisa, que não é indireta para ninguém, e aparecem uns 10 atingidos, afetados, feridos, que começam a destilar seu veneno.  Já estamos tão acostumados a ler uma enxurrada de indiretas no facebook (que certamente não são para você) que se criou um clima de que qualquer coisa que você escreva foi com o propósito de apontar o dedo para o outro. Muitas vezes são só postagens pedagógicas para descortinar um outro lado pouco observado ou ignorado.  Mas há quem se sinta tão importante a ponto de achar que tudo o que você escreve é uma provocação pessoal.  O espetáculo começa, as desavenças ganham território, salve-se quem puder.

É até normal que as pessoas tenham desconfianças das outras pelo fato de vivermos em ambientes extremamente competitivos. Mas todo o cuidado é pouco para não tornar isso uma obsessão. Porque as pessoas que se encaixam neste perfil são implicantes, vão encontrar cabelo no dente da tartaruga, pois são tão obcecadas por si mesmas que acreditam piamente que o mundo gira em torno do seu umbigo e ai começa o filme de terror.  A mania de perseguição é o protagonista, o que evidencia um problema de autoestima, pois fixa a idéia de que as pessoas não gostam dela. (Sim, é dialético).

Qualquer dia vou fazer uma manual de como lidar com pessoas chatas e implicantes. O pré-requisito é paciência, qualidade básica que eu não tenho e preciso trabalhar.  Como eu também devo aprender, deixo aqui uma leitura (que eu estou fazendo) para ver se melhoro em alguma coisa, porque está difícil lidar com pessoas implicantes e imaturas. 

Como se irritar menos com as pessoas: http://pt.wikihow.com/Se-Irritar-Menos-Com-as-Pessoas

Lembre a si mesmo que pessoas irritadas são irritantes 




quinta-feira, 23 de abril de 2015

Resultado do Sorteio: Coleção Brasil Colonial

Querides,
Chegou o grande dia de realizar o sorteio da Coleção Brasil Colonial, de João Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa, da Editora Civilização Brasileira! Agradecemos a todos que participaram e desejamos boa sorte!

Foram 91 inscrições! E o número sorteado foi....


E o sortudo é:


Parabéns, Herlaine!!!

Agradeço a todos que participaram e nos vemos no próximo sorteio!

Um abraço,
Flor

terça-feira, 31 de março de 2015

Coleção Brasil Colonial, org. João Fragoso e Maria de Fátima Gouvêa



Recebi da Editora Civilização Brasileira a coleção Brasil Colonial, composta de três volumes compreendendo 1443-1821, organizados pelos grandes historiadores João Fragoso (UFRJ) e Maria de Fátima Gouvêa (UFF). As obras reúnem diversos estudos que abrangem a totalidade do que foi o Brasil Colonial, da “descoberta” portuguesa ao complexo desdobramento de suas estruturas políticas e sociais. O primeiro volume aborda a situação Européia, as navegações e conquistas, bem como o papel desempenhado pelos indígenas e escravos na construção do Brasil e suas relações de guerra, aliança, catequese e aldeamentos.  O segundo volume trata da União Ibérica, as invasões holandesas, o Nordeste açucareiro, cultura e organização político-administrativa. O terceiro volume aborda as diversas perspectivas da monarquia, as reformas políticas, militares e econômicas, com artigos incríveis sobre a elite das senzalas, inconfidências e conjurações e a transmigração da família real portuguesa.

A Coleção Brasil Colonial é uma obra completa, que abrange as grandes discussões historiográficas sobre o período, sendo uma excelente ferramenta de estudo e pesquisa para estudantes de histórias, historiadores e os interessados em compreender a dinâmica de construção do Brasil. De fato, olhando o passado com suas estruturas e mentalidades conseguimos entender melhor o presente, bem como nossas “heranças” culturais que explicam o funcionamento e a dinâmica atual.


Em breve vou postando as resenhas sobre os capítulos lidos. A boa notícia é que a Editora Civilização Brasileira disponibilizou a Coleção para sortear aqui no blog! Algum sortudo vai ganhar a obra completa e adquirir esses livros que são para a vida toda. Longe de serem obras mastigáveis, a Coleção Brasil Colonial é para ser lida e relida sempre, pois a cada leitura uma nova perspectiva se abre. 

1.       Residir em território nacional;
2.       Curtir a Fanpage da Editora Civilização Brasileira, clicando aqui;
3.       Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia 23 de Abril. Boa sorte! Não se esqueçam de cumprir as regras! 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Novo sorteio "A Era das Revoluções"

Querides, como a ganhadora do livro "A Era das Revoluções" não respondeu ao e-mail com os seus dados vamos fazer outro sorteio! Espero sinceramente que desta vez o sortudo responda! :)

Foram 82 inscrições. E o novo número é....




Parabéns, Igor! Você tem 72h para responder meu e-mail com seus dados de envio, ok?
Obrigada a todos que participaram!

Um beijo,

segunda-feira, 23 de março de 2015

Resultado do Sorteio "A Era das Revoluções"

Olá, querides!
Hoje sai o resultado do Sorteio "A Era das Revoluções", do historiador Eric Hobsbawm, da Editora Paz & Terra. Foram 83 participações.

E o número sorteado foi.....



E a sortuda foi....


Parabéns, Luciana! Você seguiu as regras direitinho, agora é só responder meu e-mail com o endereço de entrega. Caso a sorteada não responda em até 72h um novo sorteio será realizado.

Obrigada a todos que participaram! Obrigada a Editora Paz & Terra!

Um beijo,
Flor

quinta-feira, 12 de março de 2015

Desdobramentos do tempo: uma reflexão sobre escolhas



Não nos é possível acessar o corredor do passado e entrar em cada porta dos acontecimentos para fazer as coisas diferentes. Seria mágico, seria incrível, mas não faz parte da nossa natureza transitar pelo tempo. Se listássemos com sinceridade tudo o que gostaríamos de fazer diferente, e se de fato tivéssemos a oportunidade de consertar essas escolhas teríamos uma vida nova. Já que somos atados quanto ao passado e ao futuro, resta nos momentos de lazer o deleite da literatura, ou do cinema, onde tudo é mágico e possível. 

Entretanto, na vida real também existe um corredor com muitas portas, porém não sabemos o que está além delas e nossas escolhas nos fazem escolher uma dentre tantas outras. Essa é mágica do tempo presente. Não podemos mudar o passado, não podemos olhar o futuro, mas temos ao nosso alcance, em tempo real, muitas portas que podem nos levar a diversas dimensões.

Todas as dimensões são desdobramentos das nossas escolhas. Escolhas essas que parecem tão irrelevantes no fluxo dos dias, mas que determinam a vida que temos hoje. O lugar onde estamos agora é fruto de uma escolha, seja ela assertiva, ou não. Mas enquanto estamos vivos podemos entrar por qualquer porta e fazer tudo novamente, diferente, se tivermos fôlego e coragem.

Em cada porta há um caminho que construímos com o próprio ato da caminhada, por isso é importante saber para onde estamos indo, o que estamos buscando. Acho que foi Platão quem disse que uma vida não questionada não merece ser vivida. Não quero dizer com isso que precisamos ser obcecados por metas e que não podemos parar distraídos para contemplar a paisagem. Contemplar é bom, dar pausas é necessário, respirar é fundamental, só não podemos perder de vista aquilo que faz vibrar todos os dias o nosso coração, que é o combustível para permanecermos de pé num mundo completamente doente. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

A Era das Revoluções (I)



Recebi da Editora Paz & Terra, parceira do blog, o livro do historiador Eric Hobsbawm, “A Era das Revoluções”, que compreende o período 1789-1848. Leitura indispensável para estudantes, historiadores e os ávidos por conhecimento. Para começar a apresentação do livro achei indispensável começar pelo primeiro capítulo, que torna claro os conceitos principais no qual Hobsbawm irá conduzir a narrativa. As revoluções como sugere o próprio título é ponto de partida para se compreender as mudanças sociais, sendo a Revolução Francesa e Revolução Industrial os principais motores que impulsionam a sua trajetória historiográfica.

Caminhando através de uma perspectiva cronológica, o autor ressalta o principal aspecto que norteava a Europa na década de 1780: ele era um mundo menor e maior simultaneamente, já que as sociedades conhecidas na época não eram tantas, a comunicação era dificultosa e cheia de obstáculos, o que o tornava menor. Em contrapartida, ele era maior justamente pelo mesmo motivo – ainda havia muito que explorar e conhecer.  Ainda dentro de um modelo predominantemente rural, onde a economia do campo era a força motriz das relações.  “E o ponto crucial do problema agrário era relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que acumulavam.” (HOBSBAWM, 1977, p. 38). O que tornava o trabalhador do campo em condições de servidão, com uma escassa liberdade e autonomia.

Foi a Inglaterra que conseguiu levar o desenvolvimento agrário a uma produção capitalista, onde surgem as primeiras classes de empresários agrícolas, enquanto grande parte da Europa ainda padecia de técnicas suficientes, mesmo que houvesse uma melhoria na agricultura. O século XVIII não foi de estagnação econômica, pelo contrário, crescia as atividades manufatureiras, crescia o comércio marítimo - o poderio colonial usurpava da riqueza de suas colônias e traziam de volta para a Europa. Os homens buscavam se libertar das tradições da Idade Média, consideradas ignorantes, e a liberdade, igualdade e fraternidade era o slogan, que depois foi apropriado pela Revolução Francesa: mas os ideais já tinham sido expostos. Eric Hobsbawm, neste primeiro capítulo trata da complexidade de se definir o Iluminismo e usa da cautela para não induzir nos seus leitores o senso comum de que o período iluminista representa de fato uma ruptura de mentalidade.

A classe média e instruída e as empenhadas no progresso quase sempre buscavam o poderoso aparelho central de uma monarquia “iluminada” para levar a cabo suas esperanças. Um príncipe necessitava de uma classe média e de suas ideias para modernizar o seu Estado; uma classe média fraca necessitava de um príncipe para quebrar a resistência ao progresso, causada por arraigados interesses clericais e aristocráticos. (HOBSBAWM, 1977, p. 51)

Este era o mundo às vésperas da dupla revolução, onde os britânicos conseguiram ser os pioneiros devido a sua estrutura social pré-industrial, e a partir daí a Europa estava pronta para se tornar o espelho do mundo e a principal hegemonia a exercer o domínio sobre a humanidade. (Parece exagero, mas não é. Mesmo que temporariamente.) Na próxima resenha falaremos sobre a Revolução Industrial. 
Enquanto isso, participe do sorteio do livro clicando aqui! 




segunda-feira, 9 de março de 2015

A queda de Napoleão



Escrito pelo historiador e professor da Sorbonne, Jean-Paul Bertaud, o livro “A queda de Napoleão”, da Editora Zahar, recria de forma esplendorosa o clima da França nos três últimos dias de seu Império e somos transportados, assistimos de forma quase fílmica o desembaraço político francês de 1815. A narrativa transcorre de forma leve e nada acadêmica, o que não significa que a história foi romanceada, já que todo o material é produzido através de documentos.

Com sucessivos fracassos nos campos de batalha, o exército estava completamente desmotivado e sem forças para continuar, paralelamente a Câmara dos Representantes já tem como certo o fracasso de Napoleão e começa a movimentação para realizar Golpes de Estado e apoiar a dinastia dos Bourbon. Obviamente que este clima também contagia a sociedade civil. Napoleão cogita a dissolução da Câmara para impor uma ditadura da salvação francesa, mas nem mesmo o soberano tem forças e apoio suficiente para se instalar este regime político. Ele tenta um recrutamento em massa, mas teme armar o povo tão instável, que pode se voltar contra ele. Pânico e desordem marcam os 3 últimos dias que antecedem a queda do Império Napoleônico.  Os realistas afirmam: “Se Buonaparte não tivesse vindo conspurcar nosso solo, estaríamos em paz com a Europa.” O imperador encara esta falta de apoio como sua própria culpa, já que acostumou os franceses à vitória e no primeiro sinal de fracasso logo viram as costas.

Os partidários de Luiz XVIII se mobilizam e espalham cartazes pelas cidades maldizendo o imperador. Todos esperavam que Napoleão renunciasse ao seu cargo, mas a incerteza de quem poderia ocupar o seu lugar é uma questão de calorosas discussões e impasses e o medo uma acompanhante constante, já que com a instabilidade política e social uma guerra civil poderia ser facilmente empreendida, o que acarretaria numa crise ainda mais profunda.

Mesmo com todas as tentativas de Napoleão em fortificar seu poderio militar e contornar as intrigas que transbordavam na Câmara dos Representantes, nada disso foi suficiente.  A queda do seu Império já estava selada e nós, leitores, temos a oportunidade incrível de assistir de forma tão intimista este momento histórico tão importante para Ocidente neste relato eletrizante do historiador Jean-Paul Bertaud.


Para conhecer  e comprar o livro, acesse aqui. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Quem tem medo de mudar?



Eu nunca tive medo de mudanças. Na verdade sempre fui movida por elas e quando tudo parece estável demais me dá uma vontade enorme de construir outro caminho. Minha natureza é nômade, não tenho medo de sair de uma cidade para morar em outra, não tenho medo do desconhecido e fico muito instigada quando me deparo com essas surpresas. Eu tenho muita sede e guardo dentro de mim impulsos muito altos, que me torna capaz de fazer grandes mergulhos.

Para mudar qualquer coisa é preciso coragem, pois ela requer fazer escolhas. E quando fazemos escolhas precisamos deixar outras coisas de lado e daí advém o medo de que o que rejeitamos possa se apresentar lá na frente como a melhor opção. Para seguir um caminho é preciso abandonar outro. Talvez isso explique porque as pessoas que alcançam certa estabilidade na vida tenham mais dificuldade, mais medo de correr riscos.

Mudanças podem ter erros, podem ter acertos, são sempre novas possibilidades de se fazer algo diferente. Já mudei tantas vezes de casa, cor de cabelo, opinião, de estado de espírito que nenhuma mudança pra mim é um monstro, pelo contrário, é um presente de começar tudo de novo e ser feliz de outra forma. Mudanças podem ser opcionais ou fundamentais dependendo do ciclo de cada um.

O meu medo é da estagnação, da inércia, da mesmice dos dias, das águas paradas, dos móveis no mesmo lugar a vida inteira, do mesmo corte e cor de cabelo, da prisão das opiniões, o cárcere nosso de cada dia que construímos sem perceber. Eu preciso de frio na barriga, de emoção. Isso me torna mais criativa, mais preparada para explorar meus talentos e aguça minha capacidade de buscar novas soluções. A zona de conforto é o lugar mais desconfortável pra mim. De verdade, não procuro uma vida estável, e sim todas as coisas que possam tornar minha existência a mais nômade e itinerante possível. É claro que isso não é a melhor opção para todo mundo, mas é pra mim e esse é o meu combustível, se não fosse pela possibilidade de começar tudo de novo eu jamais teria feito, nem conquistado nada.

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Está rolando o Sorteio em parceria com a Editora Paz & Terra do livro "A Era das Revoluções", do historiador Hobsbawm! Clique aqui para participar! 


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sorteio do Livro A Era das Revoluções - Hobsbawm - Ed. Paz & Terra



Como vocês bem sabem, o blog tem uma parceria linda com a Editora Paz & Terra, que além de ter um acervo ótimo de História e Educação ela está sempre enviando livros e disponibilizando para sortear por aqui. 

Semana passada recebi "A Era das Revoluções", de um dos maiores historiadores da atualidade Eric Hobsbawm.  O livro compreende nas grandes transformações ocorridas entre o período de 1789 - 1848,  com destaques para a Revolução Industrial e a Revolução Francesa e seus principais desdobramentos ao longo do processo histórico.  É um livro denso, rico e essencial para quem se interessa por História, já que proporciona uma viagem no tempo. Suas observações são muito bem argumentadas e traça um panorama histórico completo sobre o período, permitindo uma maior compreensão do tempo presente. 


Vou começar na próxima semana a postar as resenhas sobre o livro, já que ainda estou no inicio da caminhada e completamente presa na sua narrativa. Mas, como não me aguento, quero logo abrir o sorteio do livro aqui. 


Para participar do sorteio você precisa:


1. Residir em Território Nacional;

2. Curtir a Fanpage da Editora Paz & Terra, clicando aqui. 
3. Preencher o formulário abaixo. 

O resultado sai no dia 23 de Março de 2015.  Boa sorte! 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tente ser uma pessoa melhor todos os dias



Ontem fui dormir com uma notícia pesada de uma morte. Custei a adormecer, rolei para todos os lados da minha cama, pensando, refletindo sobre a dor, a incompreensão e como somos pessoas egoístas, não olhamos para o lado, não enxergamos a dor do outro e não ajudamos.

Acordamos e não tentamos ser uma pessoa melhor. Continuamos mesquinhos. Não abraçamos as pessoas. Elas passam na nossa frente e nós somente a cumprimentamos. Elas ligam e nós não atendemos. Quando atendemos fazemos o conveniente, o programado. Não provocamos profundidade nas relações, isso é ruim.

Entre as tentativas de adormecer fiquei pensando que precisamos tentar ser pessoas melhores todos os dias para amenizar a ruindade, as diferenças que assolam o mundo. Precisamos fazer um exercício constante de olhar o outro, de observá-lo, para tentarmos em nossa pequenez fazer a diferença na vida de alguém, muitas vezes basta uma palavra ou um gesto certeiro. Em alguns momentos, ciclos ou dias da nossa vida vivemos de forma tão mecânica que esquecemos o quanto podemos tornar a vida especial e importante.

Chega de abraços rasos, conversas sobre a meteorologia. Chega de ressaltar as diferenças que há entre as pessoas. Viva a generosidade, o afeto, a humildade, a leveza, a fraternidade, a responsabilidade.

Olhe o outro, faça por ele. Não viva sua vida girando no raio do seu umbigo, não maximize sua dor, suas necessidades. Aprenda a equilibrar isso. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resultado do Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"

Olá, querides!
Hoje é o dia de sortear o livro que a Editora Paz & Terra disponibilizou aqui: Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago.

Foram 52 inscrições válidas.

E o número sorteado foi.....





Parabéns, Lucilene! Você seguiu as regras e deverá responder ao meu e-mail até quarta-feira (4/02/2015).

Agradeço a todos que participaram e até a próxima! :)

Um beijo,
Flor

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"




Olá, amigues! 
Para vocês que acompanharam as resenhas sobre o livro "Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago, tenho uma boa notícia:  Editora Paz & Terra  disponibilizou um exemplar para sortear aqui no Blog! 

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

Para participar é bem fácil:

1. Você deve curtir a página da Editora Paz & Terra, clicando aqui;
2. Residir em território nacional;
3. Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia: 30 de Janeiro de 2015 e o envio será realizado diretamente da Editora para o sorteado.

Boa sorte!


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Do Cabaré ao Lar (2)


Hoje é o dia da segunda resenha sobre o livro Do Cabaré ao Lar – A utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista, Brasil 1890-1930 da historiadora Margareth Rago. Vou me concentrar na segunda da parte da obra que fala sobre a Colonização da Mulher, que pessoalmente foi bastante instigante e impactante.

Na primeira resenha falei sobre os conceitos de fábrica higiênica e satânica e remodelação dos ambientes de trabalho e da necessidade dos fabris de assemelhá-lo ao ambiente do lar. Agora Margareth Rago explicita sobre o papel da mulher nesta mudança de paradigma. Neste momento cabia a ela ser a “soberana” do lar, vigiar cada membro, seus horários, hábitos, prevenir qualquer desvio. Às mulheres pobres deveriam ter como modelo a postura da mulher burguesa. Forja-se uma representação simbólica: frágil, delicada, sentimental, vigilante, esposa-mãe-dona de casa e assexuada. Sua função essencial não era mais as longas jornadas dentro das fábricas, mas sim dentro do lar executando suas tarefas domésticas e exercendo a sagrada maternidade.

“Pouco importam os vários artigos que na imprensa operária cobram uma maior participação feminina nos movimentos reivindicativos de classe. Na prática, esses movimentos eram controlados por elementos do sexo masculino, que certamente tinham maior liberdade de circulação, maior acesso à informação e maior organização entre si. As mulheres deveriam participar enquanto filhas, esposas ou mães, isto é, na condição subordinada dos líderes.”

Neste período estabelecia-se o confinamento da mulher na esfera privada da vida doméstica e realizar-se através das conquistas do marido e dos filhos. E para as mulheres que não abandonaram seus postos de trabalho, cabiam sempre cargos de assistência e ajudantes sem nenhum poder de decisão. A imagem da mulher era retratada como servil por natureza, mãe-sacrifício.

O Mito do amor materno

O discurso que sustentará o mito do amor materno parte da classe “científica” dos médicos sanitaristas da época, que com as grandes taxas de mortalidade infantil, procuram demonstrar que a mulher possui uma missão sagrada e vocação natural para a procriação e a maternidade a fim de fundar um novo modelo formativo a ser seguido por todas as mulheres independentes da classe social.

A amamentação foi o primeiro tópico que mediou o discurso dos médicos sanitaristas, pois a prática não era recorrente tanto pela questão estética (nas mulheres burguesas) quanto econômica para as operárias que precisavam retornar aos postos de trabalhos decorridos o primeiro mês do bebê, o que resultava no aleitamento mercenário. “Os médicos propunham, então, que as mulheres fossem convencidas de sua vocação natural para a maternidade e aconselhadas sobre os perigos que a criança alimentada fora do seio materno poderia sofrer.”

Tanto quanto a escrava, a nutriz assalariada é condenada como portadora do vírus físico e moral da contaminação e posição desagregação da família. A partir desta figura da anormalidade é que se constrói a imagem da boa mãe; daí o papel moralizador da nova figura materna proposta pelo discurso médico como a guardiã vigilante do lar.”

A partir deste discurso o poder médico consegue penetrar dentro do interior das famílias redefinindo o papel de cada membro procurando persuadir as mulheres, tirando-o a liberdade de fazer suas escolhas com a alocução moralizante de que é dentro do lar, exercendo a maternidade que a mulher se realizará quanto a sua função natural estipulada pela natureza. E todas as mulheres que não iam de acordo com este novo papel instituído legalmente pela classe médica e pelo Estado estão no campo da anormalidade e colocavam em risco o futuro da nação. A profissionalização da mulher era tida como um desacordo com sua natureza.

Margareth Rago enfatiza a importância do filósofo iluminista Rousseau e a sua influência entre os homens cultos tanto da Europa como no Brasil no processo de redefinição do papel feminino dentro da sociedade. No livro Émile ele descreve como sendo a natureza da mulher a submissão e o sacrifício, a devoção e a ternura como traços inatos de sua personalidade.

Sequestro da sexualidade insubmissa

Os médicos sanitaristas também adentraram no submundo da prostituição e concluem que dentre inúmeras causas que levam às mulheres a abandonar seus lares para se prostituir estão: a ociosidade, preguiça, desejo incontrolável do prazer, desprezo pela religião e a falta de educação moral.
Desta forma a representação simbólica construída da prostituta é contrária ao da mulher honesta, que é casada, mãe, fiel, dessexualizada. São as putas a ameaça da boa conduta do homem e que subverte a lógica moralizante do mundo. Elas são as transmissoras de doenças, que colocam em risco a boa saúde dos homens e da sociedade, que corrompem os trabalhadores e que desvia a boa conduta. Partindo deste princípio elas devem ser enclausuradas dentro de espaços regulamentados e vigiados pela polícia e autoridades médicas.

É engraçado como esses conceitos que giram entorno da prostituta continuam tão atuais e pouco se avançou na reflexão sobre o papel desta profissão.

A autora Margareth Rago enfatiza diversas pesquisas e teses que tentam enquadrar anarquistas, criminosos e putas com a mesma configuração cerebral o que os distinguiriam das pessoas normais. “O ideal de puta para os regulamentaristas é a mulher recatada e dessexualizada, que cumpre seus deveres profissionais, mas sem sentir prazer e sem gostar da sua atividade sexual.”

Conclusão

Outro tema importante nesta segunda parte do livro é a emancipação da mulher, discussão presente na imprensa anarquista que engloba tanto a operária quanto a burguesa, já que ambas são oprimidas dentro de seus papéis. Ressaltava que a mulher tem a mesma capacidade de reflexão que o homem e a educação aparece como o meio mais importante de libertação e luta pela independência. Denuncia-se o caftismo em família. Discute-se o amor livre, novas propostas de relacionamento, o divórcio e o modelo moralizador do casamento.

O matrimônio apenas serve para abreviar a duração do amor, tornar odiosa a união. No lar, a mulher é escrava, o homem é o senhor; este tem o direito de mandar, aquela o direito de.... obedecer. [...] Como pode existir o amor entre uma escrava e um senhor? [...] Por isso se diz: o casamento é a morte do amor...” (O amigo do Povo, 2/8/1902)



sábado, 3 de janeiro de 2015

Do cabaré ao lar (1)



Recebi da Editora Paz e Terra o livro “Do Cabaré ao lar – a utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista”, da historiadora Margareth Rago. Ainda não conclui a leitura, mas sendo o livro tão instigante e fantástico resolvi dividir a resenha em partes.

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

A primeira parte do livro enfatiza os conceitos da fábrica satânica e higiênica, o crescimento urbano-industrial e a tentativa de domesticação do operariado. Com a drástica mudança no modo de vida e no saber-fazer do trabalho, as pessoas são exploradas dentro das fábricas com longas jornadas, péssimas condições de higiene e segurança, violência física e moral, opressão, humilhação, o que resulta numa alteração profunda do modelo de vida no qual estavam submetidos anteriormente.

Com a eclosão de greves, destruição de maquinários e sabotagens proposto e executado pelas associações de trabalhadores, os fabris se viram na necessidade de dominação sutil e na alteração na estratégica de controle dos operários, que incluía tratá-los de forma individualizada para enfraquecer suas mobilizações coletivas e ignorar suas entidades de classe. Neste momento surge o conceito de fábrica higiênica e a atuação patronal que “foi marcada ambiguamente pela intenção de proteger os trabalhadores que viviam em condições deploráveis mas, ao mesmo tempo, de controlar e disciplinar todos os seus hábitos.” Foram realizadas algumas mudanças dentro do interior das fábricas, como tornar o ambiente limpo, iluminado, arejado, com oxigênio disponível para todos (!!!) de modo a se tornar mais aconchegante e parecido com o interior de seus lares. Todas as essas mudanças partiam do pressuposto de minimizar o descontentamento da classe,  minimizar os prejuízos dos fabris e potencializar sua produção. Acreditava-se que mudando o ambiente seus trabalhadores teriam comportamentos mais dóceis e disciplinados.

Mas o que queria o movimento anarquista? Apropriação das fábricas e reorganização do processo de produção pelos trabalhadores, já que eram eles que conheciam e dominavam a técnica de trabalho na prática, e assim superar a divisão social do trabalho realizada pelo sistema capitalista, colocando abaixo a hierarquia despótica. “Também os anarquistas sonhavam com uma sociedade em que o desenvolvimento da tecnologia libertaria o homem do “reino da necessidade”, permitindo uma vida mais livre e criativa, onde o trabalho seria transformado enquanto atividade de autocriação da humanidade.”

A autora reforça a ausência de publicações que evidenciasse as condições de trabalho dos operários por parte da imprensa oficial, o que mostra o desinteresse do poder público pela situação dos trabalhadores no Brasil. Cabendo aos jornais anarcossindicalistas denunciar a conjuntura em que se encontravam os proletariados.

Vejam o sumário:




A inveja, o caráter e o vazio interior


Ninguém é perfeito, ninguém é coerente ou dono da razão. Todo mundo guarda dentro de si os seus conflitos, defeitos e impulsos, entretanto, existe algo chamado caráter que desviado ultrapassa todos os limites do bom senso e boa convivência.

"O melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum".Abigail van Buren
Dentre muitos sentimentos obscuros que permeiam o interior de algumas pessoas e que eu creio ter alguma ligação com o caráter está a inveja: uma paranóia de querer o que é do outro, querer entrar na história do outro, e como se não bastasse o desejo tem quem precise destruir outras histórias para tentar afirmar ao seu próprio ego do que é capaz, revelando mais do que um potencial maligno, uma tremenda insegurança e falta de amor que nutre por si mesmo. Para o invejoso falta coragem de construir sua própria vida e sua própria história, pelo medo do fracasso, pela humilhação ou falta de brilho que seus caminhos possam ter.

O invejoso é compulsivo e fica na espreita de qualquer conquista. Com suas lentes de aumento, escondendo uma miopia doentia nos olhos, ele engrandece qualquer ato ou o diminui conforme suas necessidades interiores.  Invadido pela tristeza, frustração, revolta e baixa autoestima, essas pessoas atacam, mascaram e criam suas próprias justificativas, até mesmo com mentiras mirabolantes.

O mais surpreendente é que o invejoso sempre tem seus próprios alvos e miras, e apesar disso não consegue reconhecer que as pessoas não são melhores do que as outras, que cada um dentro do seu casulo também tem os seus conflitos, suas pendências e que mundo nenhum é cor-de-rosa, perfeito, com textura de algodão. Estamos todos no mesmo planeta, vivendo, aprendendo, errando, construindo, demolindo, buscando, sonhando etc.

Talvez o caminho para a restauração de sua própria paz interior seja através de um processo terapêutico e com a consciência de que a história de sua própria vida também merece valor, investimento e interesse, para que assim não seja necessário comparar sua grama com a do vizinho.

“Para evoluirmos enquanto humanidade precisamos aperfeiçoar nossa capacidade de nos relacionar, ou seja, precisamos aprender a nos relacionar com o outro sem machucar. Esse é o nosso maior desafio. Nesse “outro” está inclusa a natureza, a nossa casa. Precisamos aprender a conviver em harmonia, preservando, não destruindo. Destruir é muito fácil. Cortar o tronco de uma árvore é simples, mas não é possível colocá-lo de volta. Estamos agora colhendo os frutos do que plantamos, ou melhor, do que não plantamos (destruímos). Estamos sendo convidados a rever nossas ações, nossos hábitos e condicionamentos, pois a forma como vivemos até agora não tem funcionado.”
Sri Prem Baba