sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Resultado do Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"

Olá, querides!
Hoje é o dia de sortear o livro que a Editora Paz & Terra disponibilizou aqui: Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago.

Foram 52 inscrições válidas.

E o número sorteado foi.....





Parabéns, Lucilene! Você seguiu as regras e deverá responder ao meu e-mail até quarta-feira (4/02/2015).

Agradeço a todos que participaram e até a próxima! :)

Um beijo,
Flor

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sorteio do livro "Do Cabaré ao Lar"




Olá, amigues! 
Para vocês que acompanharam as resenhas sobre o livro "Do Cabaré ao Lar", da historiadora Margareth Rago, tenho uma boa notícia:  Editora Paz & Terra  disponibilizou um exemplar para sortear aqui no Blog! 

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

Para participar é bem fácil:

1. Você deve curtir a página da Editora Paz & Terra, clicando aqui;
2. Residir em território nacional;
3. Preencher o formulário abaixo.

O resultado sai no dia: 30 de Janeiro de 2015 e o envio será realizado diretamente da Editora para o sorteado.

Boa sorte!


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Do Cabaré ao Lar (2)


Hoje é o dia da segunda resenha sobre o livro Do Cabaré ao Lar – A utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista, Brasil 1890-1930 da historiadora Margareth Rago. Vou me concentrar na segunda da parte da obra que fala sobre a Colonização da Mulher, que pessoalmente foi bastante instigante e impactante.

Na primeira resenha falei sobre os conceitos de fábrica higiênica e satânica e remodelação dos ambientes de trabalho e da necessidade dos fabris de assemelhá-lo ao ambiente do lar. Agora Margareth Rago explicita sobre o papel da mulher nesta mudança de paradigma. Neste momento cabia a ela ser a “soberana” do lar, vigiar cada membro, seus horários, hábitos, prevenir qualquer desvio. Às mulheres pobres deveriam ter como modelo a postura da mulher burguesa. Forja-se uma representação simbólica: frágil, delicada, sentimental, vigilante, esposa-mãe-dona de casa e assexuada. Sua função essencial não era mais as longas jornadas dentro das fábricas, mas sim dentro do lar executando suas tarefas domésticas e exercendo a sagrada maternidade.

“Pouco importam os vários artigos que na imprensa operária cobram uma maior participação feminina nos movimentos reivindicativos de classe. Na prática, esses movimentos eram controlados por elementos do sexo masculino, que certamente tinham maior liberdade de circulação, maior acesso à informação e maior organização entre si. As mulheres deveriam participar enquanto filhas, esposas ou mães, isto é, na condição subordinada dos líderes.”

Neste período estabelecia-se o confinamento da mulher na esfera privada da vida doméstica e realizar-se através das conquistas do marido e dos filhos. E para as mulheres que não abandonaram seus postos de trabalho, cabiam sempre cargos de assistência e ajudantes sem nenhum poder de decisão. A imagem da mulher era retratada como servil por natureza, mãe-sacrifício.

O Mito do amor materno

O discurso que sustentará o mito do amor materno parte da classe “científica” dos médicos sanitaristas da época, que com as grandes taxas de mortalidade infantil, procuram demonstrar que a mulher possui uma missão sagrada e vocação natural para a procriação e a maternidade a fim de fundar um novo modelo formativo a ser seguido por todas as mulheres independentes da classe social.

A amamentação foi o primeiro tópico que mediou o discurso dos médicos sanitaristas, pois a prática não era recorrente tanto pela questão estética (nas mulheres burguesas) quanto econômica para as operárias que precisavam retornar aos postos de trabalhos decorridos o primeiro mês do bebê, o que resultava no aleitamento mercenário. “Os médicos propunham, então, que as mulheres fossem convencidas de sua vocação natural para a maternidade e aconselhadas sobre os perigos que a criança alimentada fora do seio materno poderia sofrer.”

Tanto quanto a escrava, a nutriz assalariada é condenada como portadora do vírus físico e moral da contaminação e posição desagregação da família. A partir desta figura da anormalidade é que se constrói a imagem da boa mãe; daí o papel moralizador da nova figura materna proposta pelo discurso médico como a guardiã vigilante do lar.”

A partir deste discurso o poder médico consegue penetrar dentro do interior das famílias redefinindo o papel de cada membro procurando persuadir as mulheres, tirando-o a liberdade de fazer suas escolhas com a alocução moralizante de que é dentro do lar, exercendo a maternidade que a mulher se realizará quanto a sua função natural estipulada pela natureza. E todas as mulheres que não iam de acordo com este novo papel instituído legalmente pela classe médica e pelo Estado estão no campo da anormalidade e colocavam em risco o futuro da nação. A profissionalização da mulher era tida como um desacordo com sua natureza.

Margareth Rago enfatiza a importância do filósofo iluminista Rousseau e a sua influência entre os homens cultos tanto da Europa como no Brasil no processo de redefinição do papel feminino dentro da sociedade. No livro Émile ele descreve como sendo a natureza da mulher a submissão e o sacrifício, a devoção e a ternura como traços inatos de sua personalidade.

Sequestro da sexualidade insubmissa

Os médicos sanitaristas também adentraram no submundo da prostituição e concluem que dentre inúmeras causas que levam às mulheres a abandonar seus lares para se prostituir estão: a ociosidade, preguiça, desejo incontrolável do prazer, desprezo pela religião e a falta de educação moral.
Desta forma a representação simbólica construída da prostituta é contrária ao da mulher honesta, que é casada, mãe, fiel, dessexualizada. São as putas a ameaça da boa conduta do homem e que subverte a lógica moralizante do mundo. Elas são as transmissoras de doenças, que colocam em risco a boa saúde dos homens e da sociedade, que corrompem os trabalhadores e que desvia a boa conduta. Partindo deste princípio elas devem ser enclausuradas dentro de espaços regulamentados e vigiados pela polícia e autoridades médicas.

É engraçado como esses conceitos que giram entorno da prostituta continuam tão atuais e pouco se avançou na reflexão sobre o papel desta profissão.

A autora Margareth Rago enfatiza diversas pesquisas e teses que tentam enquadrar anarquistas, criminosos e putas com a mesma configuração cerebral o que os distinguiriam das pessoas normais. “O ideal de puta para os regulamentaristas é a mulher recatada e dessexualizada, que cumpre seus deveres profissionais, mas sem sentir prazer e sem gostar da sua atividade sexual.”

Conclusão

Outro tema importante nesta segunda parte do livro é a emancipação da mulher, discussão presente na imprensa anarquista que engloba tanto a operária quanto a burguesa, já que ambas são oprimidas dentro de seus papéis. Ressaltava que a mulher tem a mesma capacidade de reflexão que o homem e a educação aparece como o meio mais importante de libertação e luta pela independência. Denuncia-se o caftismo em família. Discute-se o amor livre, novas propostas de relacionamento, o divórcio e o modelo moralizador do casamento.

O matrimônio apenas serve para abreviar a duração do amor, tornar odiosa a união. No lar, a mulher é escrava, o homem é o senhor; este tem o direito de mandar, aquela o direito de.... obedecer. [...] Como pode existir o amor entre uma escrava e um senhor? [...] Por isso se diz: o casamento é a morte do amor...” (O amigo do Povo, 2/8/1902)



sábado, 3 de janeiro de 2015

Do cabaré ao lar (1)



Recebi da Editora Paz e Terra o livro “Do Cabaré ao lar – a utopia da cidade disciplinar e a resistência anarquista”, da historiadora Margareth Rago. Ainda não conclui a leitura, mas sendo o livro tão instigante e fantástico resolvi dividir a resenha em partes.

O livro enfoca a primeira República do Brasil e problematiza a história social, revelando os desafios dos operários fabris, disciplinarização, a colonização da mulher, o mito do amor materno, a pedagogia paternalista dos patrões etc. Com uma riqueza de detalhes e documentos históricos, o livro é leitura indispensável para quem se interessa pela historiografia brasileira.

A primeira parte do livro enfatiza os conceitos da fábrica satânica e higiênica, o crescimento urbano-industrial e a tentativa de domesticação do operariado. Com a drástica mudança no modo de vida e no saber-fazer do trabalho, as pessoas são exploradas dentro das fábricas com longas jornadas, péssimas condições de higiene e segurança, violência física e moral, opressão, humilhação, o que resulta numa alteração profunda do modelo de vida no qual estavam submetidos anteriormente.

Com a eclosão de greves, destruição de maquinários e sabotagens proposto e executado pelas associações de trabalhadores, os fabris se viram na necessidade de dominação sutil e na alteração na estratégica de controle dos operários, que incluía tratá-los de forma individualizada para enfraquecer suas mobilizações coletivas e ignorar suas entidades de classe. Neste momento surge o conceito de fábrica higiênica e a atuação patronal que “foi marcada ambiguamente pela intenção de proteger os trabalhadores que viviam em condições deploráveis mas, ao mesmo tempo, de controlar e disciplinar todos os seus hábitos.” Foram realizadas algumas mudanças dentro do interior das fábricas, como tornar o ambiente limpo, iluminado, arejado, com oxigênio disponível para todos (!!!) de modo a se tornar mais aconchegante e parecido com o interior de seus lares. Todas as essas mudanças partiam do pressuposto de minimizar o descontentamento da classe,  minimizar os prejuízos dos fabris e potencializar sua produção. Acreditava-se que mudando o ambiente seus trabalhadores teriam comportamentos mais dóceis e disciplinados.

Mas o que queria o movimento anarquista? Apropriação das fábricas e reorganização do processo de produção pelos trabalhadores, já que eram eles que conheciam e dominavam a técnica de trabalho na prática, e assim superar a divisão social do trabalho realizada pelo sistema capitalista, colocando abaixo a hierarquia despótica. “Também os anarquistas sonhavam com uma sociedade em que o desenvolvimento da tecnologia libertaria o homem do “reino da necessidade”, permitindo uma vida mais livre e criativa, onde o trabalho seria transformado enquanto atividade de autocriação da humanidade.”

A autora reforça a ausência de publicações que evidenciasse as condições de trabalho dos operários por parte da imprensa oficial, o que mostra o desinteresse do poder público pela situação dos trabalhadores no Brasil. Cabendo aos jornais anarcossindicalistas denunciar a conjuntura em que se encontravam os proletariados.

Vejam o sumário:




A inveja, o caráter e o vazio interior


Ninguém é perfeito, ninguém é coerente ou dono da razão. Todo mundo guarda dentro de si os seus conflitos, defeitos e impulsos, entretanto, existe algo chamado caráter que desviado ultrapassa todos os limites do bom senso e boa convivência.

"O melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não podem lhe trazer benefício algum".Abigail van Buren
Dentre muitos sentimentos obscuros que permeiam o interior de algumas pessoas e que eu creio ter alguma ligação com o caráter está a inveja: uma paranóia de querer o que é do outro, querer entrar na história do outro, e como se não bastasse o desejo tem quem precise destruir outras histórias para tentar afirmar ao seu próprio ego do que é capaz, revelando mais do que um potencial maligno, uma tremenda insegurança e falta de amor que nutre por si mesmo. Para o invejoso falta coragem de construir sua própria vida e sua própria história, pelo medo do fracasso, pela humilhação ou falta de brilho que seus caminhos possam ter.

O invejoso é compulsivo e fica na espreita de qualquer conquista. Com suas lentes de aumento, escondendo uma miopia doentia nos olhos, ele engrandece qualquer ato ou o diminui conforme suas necessidades interiores.  Invadido pela tristeza, frustração, revolta e baixa autoestima, essas pessoas atacam, mascaram e criam suas próprias justificativas, até mesmo com mentiras mirabolantes.

O mais surpreendente é que o invejoso sempre tem seus próprios alvos e miras, e apesar disso não consegue reconhecer que as pessoas não são melhores do que as outras, que cada um dentro do seu casulo também tem os seus conflitos, suas pendências e que mundo nenhum é cor-de-rosa, perfeito, com textura de algodão. Estamos todos no mesmo planeta, vivendo, aprendendo, errando, construindo, demolindo, buscando, sonhando etc.

Talvez o caminho para a restauração de sua própria paz interior seja através de um processo terapêutico e com a consciência de que a história de sua própria vida também merece valor, investimento e interesse, para que assim não seja necessário comparar sua grama com a do vizinho.

“Para evoluirmos enquanto humanidade precisamos aperfeiçoar nossa capacidade de nos relacionar, ou seja, precisamos aprender a nos relacionar com o outro sem machucar. Esse é o nosso maior desafio. Nesse “outro” está inclusa a natureza, a nossa casa. Precisamos aprender a conviver em harmonia, preservando, não destruindo. Destruir é muito fácil. Cortar o tronco de uma árvore é simples, mas não é possível colocá-lo de volta. Estamos agora colhendo os frutos do que plantamos, ou melhor, do que não plantamos (destruímos). Estamos sendo convidados a rever nossas ações, nossos hábitos e condicionamentos, pois a forma como vivemos até agora não tem funcionado.”
Sri Prem Baba