quarta-feira, 11 de março de 2015

A Era das Revoluções (I)



Recebi da Editora Paz & Terra, parceira do blog, o livro do historiador Eric Hobsbawm, “A Era das Revoluções”, que compreende o período 1789-1848. Leitura indispensável para estudantes, historiadores e os ávidos por conhecimento. Para começar a apresentação do livro achei indispensável começar pelo primeiro capítulo, que torna claro os conceitos principais no qual Hobsbawm irá conduzir a narrativa. As revoluções como sugere o próprio título é ponto de partida para se compreender as mudanças sociais, sendo a Revolução Francesa e Revolução Industrial os principais motores que impulsionam a sua trajetória historiográfica.

Caminhando através de uma perspectiva cronológica, o autor ressalta o principal aspecto que norteava a Europa na década de 1780: ele era um mundo menor e maior simultaneamente, já que as sociedades conhecidas na época não eram tantas, a comunicação era dificultosa e cheia de obstáculos, o que o tornava menor. Em contrapartida, ele era maior justamente pelo mesmo motivo – ainda havia muito que explorar e conhecer.  Ainda dentro de um modelo predominantemente rural, onde a economia do campo era a força motriz das relações.  “E o ponto crucial do problema agrário era relação entre os que cultivavam a terra e os que a possuíam, os que produziam sua riqueza e os que acumulavam.” (HOBSBAWM, 1977, p. 38). O que tornava o trabalhador do campo em condições de servidão, com uma escassa liberdade e autonomia.

Foi a Inglaterra que conseguiu levar o desenvolvimento agrário a uma produção capitalista, onde surgem as primeiras classes de empresários agrícolas, enquanto grande parte da Europa ainda padecia de técnicas suficientes, mesmo que houvesse uma melhoria na agricultura. O século XVIII não foi de estagnação econômica, pelo contrário, crescia as atividades manufatureiras, crescia o comércio marítimo - o poderio colonial usurpava da riqueza de suas colônias e traziam de volta para a Europa. Os homens buscavam se libertar das tradições da Idade Média, consideradas ignorantes, e a liberdade, igualdade e fraternidade era o slogan, que depois foi apropriado pela Revolução Francesa: mas os ideais já tinham sido expostos. Eric Hobsbawm, neste primeiro capítulo trata da complexidade de se definir o Iluminismo e usa da cautela para não induzir nos seus leitores o senso comum de que o período iluminista representa de fato uma ruptura de mentalidade.

A classe média e instruída e as empenhadas no progresso quase sempre buscavam o poderoso aparelho central de uma monarquia “iluminada” para levar a cabo suas esperanças. Um príncipe necessitava de uma classe média e de suas ideias para modernizar o seu Estado; uma classe média fraca necessitava de um príncipe para quebrar a resistência ao progresso, causada por arraigados interesses clericais e aristocráticos. (HOBSBAWM, 1977, p. 51)

Este era o mundo às vésperas da dupla revolução, onde os britânicos conseguiram ser os pioneiros devido a sua estrutura social pré-industrial, e a partir daí a Europa estava pronta para se tornar o espelho do mundo e a principal hegemonia a exercer o domínio sobre a humanidade. (Parece exagero, mas não é. Mesmo que temporariamente.) Na próxima resenha falaremos sobre a Revolução Industrial. 
Enquanto isso, participe do sorteio do livro clicando aqui! 




Nenhum comentário: